MNE. Europa tem de continuar numa relação com o Reino Unido

Augusto Santos Silva diz que é imperativo um "divórcio amigável" com os britânicos

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, defendeu hoje que o brexit tem de ser seguido do "reatar de uma nova relação" entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido, considerando que os britânicos e os 27 Estado que continuarão na UE a partir de 2019 não podem, viver de costas voltadas.

"Devemos gerir a negociação do brexit - e é isso que temos feito - de forma a ajudar a posição britânica no sentido de tentar construir um divórcio o mais amigável possível", defendeu responsável da diplomacia, sublinhando que este processo de significar "um passo mais para o reatar de uma nova relação". "É estranho, normalmente primeiro há as relações e depois o divórcio, neste caso é ao contrário, trabalhamos primeiro os termos do divórcio e trabalhamos depois os termos de uma nova relação", disse Augusto santos Silva, que falava no debate "Que Europa Queremos?", incluído no ciclo de conferências sobre a Europa, uma iniciativa promovida pelo DN para assinalar o 153.º aniversário do jornal, que se cumpre na próxima semana.

Para que não fiquem dúvidas, o titular dos Negócios Estrangeiros sublinhou estar a falar em nome de Portugal: "Para nós é muito importante que o brexit signifique o reatar de uma nova relação". Há razões para isso: "Para todos os efeitos, o Reino Unido sai da União europeia, mas não sai da Europa, não sai da sua posição absolutamente essencial para a Europa quer do ponto de vista económico quer, sobretudo, do ponto de vista da arquitetura da segurança e defesa". Circunstâncias que obrigam as duas partes a "encontrar uma relação nova". "Até agora os passos têm sido positivos", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros, que não deixou, no entanto, de apontar grandes dificuldades ao processo, nomeadamente a "necessidade de superar impossibilidades lógicas". E, diz Santos silva, "a política pode muito, mas poder superar impossibilidades lógicas é mesmo um grande desafio".

E quais são essas impossibilidades? "São duas". "O Reino Unido manter-se no espaço económico europeu, qualquer que seja a forma e o nome que lhe concedamos, recusando uma das quatro liberdades de circulação" - ou seja, mantendo a liberdade de circulação de bens, de serviços e capitais, mas não a livre circulação de pessoas. "É uma impossibilidade lógica", sublinha Santos Silva, acrescentando que "tempos que arranjar maneira de resolver este paradoxo".

Por outro lado, há a questão das fronteiras: "Como é que mantemos aberta a fronteira - portanto, continuamos sem fronteira - entre a República da Irlanda e a parte do Reino Unido que é a Irlanda do Norte, ao mesmo tempo que o Reino unido sai da UE e, portanto, há ali uma fronteira" externa da União Europeia, questionou. "Pode parecer coisa de somenos", alertou Santos Silva, mas "nunca é de somenos mexer na arca da história do século XX europeu porque é uma arca que está cheia de demónios e é melhor mantê-los bem fechados".

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