Ministro recusa investigações para "inglês ver"

Ministro da Defesa espera ter as conclusões dos inquéritos até final do ano

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, espera ter em cima da sua mesa até ao final do ano as conclusões de um inquérito à morte de dois militares no curso de Comandos.

Em entrevista à RTP, o titular da pasta lembrou existirem dois processos de averiguações em curso: um do Exército e um processo-crime aberto pelo Ministério Público. "Espero que essas averiguações não sejam para inglês ver, e tenho a certeza de que não vão ser. Mas que sejam para apurar as circunstâncias trágicas que levaram não só à morte de duas pessoas mas também aos restantes nove casos" de jovens que tiveram de ser internados, acrescentou Azeredo Lopes.

Questionado sobre se, em função das conclusões do inquérito, o governo poderá retirar a confiança ao chefe do Estado-Maior do Exército, Azeredo Lopes considerou isso como uma "hipótese absurda", na medida em que só admitiria retirar a confiança ao general Rovisco Duarte se entendesse que as conclusões "omitiam ou escondiam alguma coisa".

"Tenho a certeza, tanto quanto posso ter, de que isso não está em causa e de que há uma vontade firme e transparente do Exército em esclarecer o assunto", disse o ministro, afastando ainda a hipótese de extinguir os Comandos. Por agora, o atual curso continua "sob elevado escrutínio", tendo os próximos sido suspensos como medida de "precaução" até os inquéritos estarem concluídos. O processo--crime, tal como o DN adiantou, está a ser investigado pela procuradora Cândida Vilar, que esteve durante anos à frente da Unidade Especial contra o Crime Violento do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Entretanto, os deputados da comissão parlamentar de Defesa marcaram para o dia 18 de outubro uma visita ao Regimento de Comandos, na serra da Carregueira, em Sintra. A proposta tinha partido do presidente da comissão de Defesa, Marco António Costa, no passado dia 14, merecendo o apoio dos grupos parlamentares.

Segundo disse na altura o deputado do PSD, o objetivo será "dar um sinal público de unidade nacional, sem prejuízo das diferenças de estratégia e de posições políticas de cada grupo parlamentar".

O Regimento de Comandos ficou sob forte polémica depois de dois militares terem morrido nos exercícios de instrução do 127.º curso da especialidade no Campo de Tiro de Alcochete, Setúbal.

Nos últimos dias surgiram várias informações dando conta de violência durante a instrução do curso. À RTP, por exemplo, um dos colegas de Hugo Abreu, um dos militares que morreu, declarou que o jovem foi obrigado a comer terra já depois de estar "próximo da inconsciência". Outro militar adiantou que os formandos só podiam beber água com ordem do instrutor, o que, dadas as temperaturas na ordem dos 40 graus, terá provocado vários casos de desidratação

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