Ministra recua e admite pedir novo General ao Exército

A demissão do general Rui Moura deixou a GNR com três lugares vagos da hierarquia de topo. Há dois generais com quatro comandos

"Neste momento, não está previsto o preenchimento de qualquer vaga no Corpo de Oficiais Generais", declarou a ministra da Administração Interna ao DN, em junho passado, quando confrontada com a existência de dois lugares de generais vazios da GNR. Esta segunda-feira, fonte oficial do seu gabinete admitiu que Constança Urbano de Sousa pode ter de mudar de ideias, depois depois da demissão do major-general Rui Moura, que era o Comandante Operacional da Guarda. Sobem para três as vagas de generais nesta força de segurança e a ministra já considera ter de recrutar, de novo, oficiais generais nas Forças Armadas.
"A situação agora é diferente, pois o general Rui Moura só devia ter passado à reserva em abril. A Sra. ministra vai aguardar a proposta do Sr. Comandante-Geral e admite nomear um novo general", justificou a porta-voz. Por seu lado, questionada sobre se vai pedir ao Exército esta substituição, a GNR responde que "a questão deve ser colocada ao MAI".
A lei orgânica da GNR prevê 11 lugares de comando para oficiais-generais, estando neste momento preenchidos oito. Há dois generais a acumular funções de dois comandos. Botelho Miguel, o segundo comandante, exerce também as funções de Inspetor-Geral; Esteves Pereira é o comandante de Doutrina e Formação e da Unidade de Segurança e Honras de Estado. Rui Moura está, provisoriamente substituído pelo seu adjunto, o major-general Pires da Silva.
Constança Urbano de Sousa tem dado sinais de querer acelerar a substituição dos oficiais do Exército, defendendo a promoção a general de coronéis que não passaram pela Academia Militar, o que tem provocado forte polémica entre oficiais desta escola e que são a maioria na GNR.
A proposta de estatuto que vai levar a Conselho de Ministros pode prever esta abertura o que permitiria a saída mais rápida da Guarda dos generais do Exército. Este ano está prevista a passagem à reserva de outros dois generais - Esteves Pereira e Baía Afonso (comandante da área administrativa e de recursos humanos) deixando em aberto outras duas vagas.

Leonel Carvalho surpreendido com saída de Rui Moura

A demissão de Rui Moura, que antecipou a sua passagem à reserva por não ter sido promovido a tenente-general, causou surpresa nos meios militares, que apontam o dedo ao comandante-geral Manuel Couto, que é quem tem a competência para fazer a proposta ao Exército, o que não fez.
O tenente-general Leonel Carvalho, que comandou a GNR e dirigiu o Gabinete Coordenador de Segurança, lembra-se de Moura "como o melhor aluno de toda a Academia Militar" e uma carreira "exemplar". "Sempre esperei que viesse a atingir o máximo da carreira militar, tenente-general de três estrelas", sublinha, assinalando que não vê "razões objetivas" para Rui Moura não ter sido promovido. "Havendo vaga na GNR, não ia tirar lugar a ninguém, nem na Guarda, nem no Exército", afirma. "É uma perda para a GNR e para as Forças Armadas", conclui.

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