Mendes: Grupo parlamentar do PSD "deu imagem desgraçada"

O antigo líder do PSD considera que Fernando Negrão tem uma "legitimidade fraca" e que os seu maior desafio são os debates quinzenais com o primeiro-ministro. O primeiro já na quarta-feira.

No seu habitual comentário na SIC, Marques Mendes sublinhou que há muito tempo que a bancada social-democrata não dava uma "imagem de tão desgraçada" com a eleição da nova liderança parlamentar. E em que Fernando Negrão apenas obteve 32% dos votos expressos, sendo os restantes brancos e nulos. O antigo dirigente do PSD considerou que Negrão foi mais "vítima" do que "réu" e repartiu as responsabilidades desta situação entre Rui Rio e os próprios deputados do PSD.

De Rio disse que foi um erro não ter falado ao grupo parlamentar desde que foi eleito, há mês e meio para a liderança do partido e que "provocou" desnecessariamente o anterior líder parlamentar Hugo Soares para a primeira reunião da Comissão Política Nacional. Mas também não ilibou os deputados sociais-democratas por terem, de forma "inaceitável", fomentado uma "guerra de guerrilha", esquecendo-se que é impensável que um líder da bancada ser alguém que não tenha a confiança do presidente do partido.

Marques Mendes foi ainda muito crítico para a estratégia de Rio nesta primeira semana de liderança, embora tenha reconhecido que tudo o que o novo líder do PSD fez foi para "demarcar-se" de Passos Coelho: o diálogo com Costa; a escolha de Elina Fraga como uma nova política de justiça; e até o confronto com os deputados. Só que nesta demarcação, só encontrou problemas.

Sobretudo porque em vez de investir na oposição ao governo, após cinco meses de paralisia do partido, toma a iniciativa de negociar com o executivo. Segundo porque nos acordos com António Costa - descentralização e fundos comunitários - só segue a agenda do governo. "E a agenda do PSD, que é negociar acordos na segurança social e na justiça? Se Rio não impõe algo da sua agenda, corre o risco de parecer uma muleta do governo".

Neste ponto, dos acordos, Mendes considerou as matérias que irão ser debatidas entre PSD e governo "pífias", porque os dois partidos não têm grandes divergências. O que era preciso debater, defendeu , um acordo sobre o desenvolvimento do Interior do país. Um tema que, lembrou, foi colocado na agenda política pelo Presidente da República, com quem Rui Rio se encontrará amanhã, segunda-feira.

Marques Mendes sublinhou que Rio faz bem em trilhar um caminho diferente do de Passos Coelho, mas convinha fazê-lo com base em causas e não em casos.

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