Melhor secundária tem o apoio do Opus Dei e é só para rapazes

O Colégio Cedros é uma cooperativa formada por pais há 37 anos. Não tem raparigas: "Os resultados melhoram sendo só rapazes"

"Dizem-nos, muitas vezes, que temos excelentes notas, que são inflacionadas, só porque frequentarmos o ensino privado. O reconhecimento de sermos a melhor escola secundária do país, no ranking do Ministério da Educação, só vem provar que estão errados, porque os exames nacionais são iguais para o público e o privado." É desta forma que Miguel Pereira, 17 anos, aluno do 12.º ano, com média de 20 valores, do Colégio Cedros, em Vila Nova de Gaia, reage à notícia de que, neste ano, a instituição saltou do 20.º lugar do último ano para o primeiro.

Com um look formal - o uniforme do colégio com calças, pulôver e gravata azuis -, Miguel Pereira trata logo de retirar o rótulo de "marrões" aos alunos por terem conseguido uma média de 15,8 valores nos exames nacionais dos 10.º e 11.º anos. Fez exame de Biologia e de Físico-Química do 11.º ano e é um dos alunos, que, no último ano letivo, contribuíram para o bom desempenho da escola no ranking nacional.

Por estes dias, não se lançam foguetes dentro dos portões, mas festejam-se com sorrisos rasgados e palavras de apreço e incentivo. "É o culminar de muito trabalho, não apenas de um, mas de todos os alunos como um todo para atingir um objetivo comum", diz Miguel.

Do 20º lugar para o primeiro

O diretor do colégio, Pedro Faure, ainda que "muito satisfeito", garante que a instituição não trabalha para o ranking. "Mas regressamos aos lugares cimeiros depois de, no ano passado, termos estado no 20.º. Já estivemos várias vezes entre os primeiros."

Veja em que lugar está a escola dos seus filhos

Mas afinal qual é o segredo do Colégio Cedros? Uma instituição em que se veem sacerdotes da prelatura do Opus Dei a circular nos corredores "que prestam assistência espiritual aos alunos". E no qual não se vê uma única aluna dentro de portas. Apenas rapazes a partir dos 3 anos que frequentam desde a pré-primária até ao 12.º ano. Ainda há colégios diferenciados, sim. Já na rua, a escassos metros, a cooperativa proprietária desta instituição tem um outro colégio, mas feminino.

Raparigas são diferentes

Os alunos consideram que tal contribui para o sucesso escolar. "Está provado cientificamente que os rapazes e as raparigas têm ritmos diferentes de aprendizagem", assegura Miguel, com o seu olhar reguila. Também Frederico Cardoso, 17 anos, do 12.º ano da área de Ciências Socioeconómicas e que quer fazer carreira em Gestão, defende o mesmo. Aluno de 20, Frederico diz que "a maneira como os rapazes compreendem a matéria não é melhor nem pior do que as raparigas. É apenas diferente".

O diretor do colégio crê que "os resultados académicos melhoram significativamente sendo só rapazes". Foram adotadas diferentes metodologias em função de os alunos serem do sexo masculino, como estratégias em sala de aula de atirarem uma bola pequena entre eles para responderem a questões.

Tutores acompanham

"Os estudantes aprendem muito mais rápido. Criámos um ambiente de ensino muito mais atrativo para os rapazes que são, por natureza, mais ativos do que as raparigas", assegura Pedro Faure. Critica, por isso, as escolas mistas por "penalizarem os rapazes no ensino ao valorizarem um clima mais colaborativo e sereno que é mais adaptado ao sexo feminino".

Raparigas, só mesmo fora dos portões do colégio que funciona nestes moldes há já 37 anos. De fora também ficam as rivalidades entre colegas quanto às notas escolares. "Funcionamos todos como um todo e ajudamo-nos, tirando dúvidas sobre as matérias", conta Miguel. E se por estes dias os 31 alunos do último ano - entraram mais dois este ano - são aplaudidos pelas notas que, no último ano letivo, conseguiram nos exames nacionais dos 10.º e 11.º anos, muito devem ao estudo e aos espírito de equipa e entreajuda.

O ensino personalizado, assente na figura de 25 tutores ou percetores que acompanham o percurso escolar dos alunos a partir do 5.º ano, é outra das particularidades. Em conjunto com o aluno e a família, o tutor define estratégias e métodos para atingir um melhor desempenho escolar. E, se necessário, também aconselha à prática de uma modalidade desportiva ou à frequência de aulas de música, por exemplo. "É um grande apoio, porque nos aconselha e incentiva a dar o nosso melhor", refere Frederico.

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