Marques Mendes contra candidatura do PSD em Loures

O ex-líder do PSD comentou esta noite a polémica em torno das declarações anti-ciganos do candidato André Ventura.

"Pergunta-se: mas ele devia ter saído das listas? Eu responderia que nunca deveria ter entrado", disse Luís Marques Mendes, esta noite, na SIC, sobre o candidato do seu partido à câmara de Loures.

Para o comentador, André Ventura até "está certo quando diz que há problemas com comunidades ciganas". Mas "o que é errado é a generalização". Porque "dizer que os ciganos não cumprem as leis - só porque alguns prevaricam - é um disparate tão grande quanto dizer que o PSD é um partido de desonestos só porque um ou outro militante esteve envolvido no BPN" - "não se pode generalizar."

Mas - acrescentou - "o pior é o populismo". "O candidato não usou este tema para ajudar a resolver um problema" mas sim "para ganhar votos à custa de um preconceito" e "isto não é aceitável". "A política não é a arte do vale tudo. Tem de haver regras. Nem todos os meios são legítimos para atingir os fins que se pretendem."

Além do mais, Ventura só encabeça a lista do PSD porque "porque é comentador de futebol" e "se não o fosse provavelmente nunca seria candidato". Ora isto, " é um retrocesso no PSD: no tempo do cavaquismo houve muito o recurso a candidatos do mundo do futebol mas mais tarde cortou-se com isso" e portanto "agora volta-se ao passado". "Por mim, continuo a ser favorável a uma completa separação entre política e futebol."

Marques Mendes comentou ainda a nova política de informação da Autoridade Nacional de Proteção Civil. No seu entender, "as coisas não têm corrido bem [ao Governo] nos incêndios" e "então, em vez de se corrigirem as falhas, limita-se a informação" porque "se não houver notícias ou houver poucas notícias, até parece que está tudo bem" - "um truque antigo".

Agora, o Governo, "em vez de ter a humildade de reconhecer erros e falhas, resolveu encontrar uns culpados, uns bodes expiatórios" que são "os suspeitos do costume: os malandros da comunicação social e os malandros do Ministério Público". Como no Galpgate, que para Mendes pode querer dizer que o Executivo "deve estar já a começar a preparar a não recondução da atual procuradora-geral da República, como fez Sócrates com Souto Moura"). E "só falta culpar o Presidente da República por ter protagonismo a mais", sendo que "os ciúmes, esses, já se notam!".

Acontece que "nada disto é inteligente". "É a cópia de um filme já visto e que deu sempre maus resultados" e, além disso, "é António Costa a ficar mais parecido com Sócrates". "Andou tanto tempo a afastar-se de Sócrates para agora ficar, de repente, com tiques socráticos!"

Para o ex-líder do PSD, é também "uma vergonha" a forma como acabou a primeira comissão parlamentar de inquérito à CGD: "Acabou como começou - sem concluir nada e sem descobrir coisa nenhuma.". "Tudo isto é querer esconder a verdade" e essa responsabilidade é do PS, "que quis encerrar a Comissão sem investigar tudo o que havia a investigar", e em geral do Parlamento e dos deputados, "que dão ao país uma imagem desgraçada".

Já quanto a Tancos, a situação é de "desnorte total". "Já se demitiram comandantes e já se nomearam de novo os comandantes. Depois, o assalto era grave e depois deixou de ser. A seguir, era preciso videovigilância nos paióis de Tancos e agora, aprovada a videovigilância, muda-se o local dos paióis. Só não há ainda responsabilidades e responsáveis. Com tanto desnorte não se queixem se as pessoas desconfiarem das Forças Armadas."

Enfim: "Ao fim de quase 2 anos de mandato, tem-se a sensação de que o Governo está a ganhar na economia" - para maio, o desemprego que o INE anunciará será de 9,4%, menos uma décima percentual do que em abril, estando por outro lado o investimento a crescer na ordem dos 13,3%. Contudo, "está a perder na política". "Para além dos sinais de arrogância em relação a algumas entidades independentes; e de ciúmes em relação ao Presidente da República" há um "facto novo", que é a "degradação" da relação entre o Governo e os seus parceiros (PCP e BE), o que se viu na "muito difícil" negociação parlamentar da reforma da floresta".

Portanto, "a negociação do OE para 2018 vai ser mais difícil do que se imaginava". "O Governo até já a queria ter fechado" mas "nem pensar": "Vai ser uma tarefa difícil até ao dia 15 de outubro". "Nada disto quer dizer que o Governo vai cair ou que vamos ter uma crise política. O que quer dizer é que pioraram as condições de governabilidade. O Governo está politicamente mais fraco" e "o PCP e o BE tornaram-se mais fortes e batem o pé."

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