Marisa e as subvenções vitalícias: "Estranhei o silêncio de alguns candidatos"

Candidata à Presidência assinala que lista de deputados que recorreram ao TC inclui apoiantes de Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém

Marisa Matias regressou esta quarta-feira ao tema das subvenções vitalícias afirmando, numa visita à feira de Vila Nova de Famalicão, que se trata de uma "vergonha" que as deputadas e os deputados possam delas beneficiar. Mas a reação da candidata à Presidência da República não ficou por aí e, à boleia da vinda a público da lista dos 30 parlamentares que recorreram ao Tribunal Constitucional (TC), noticiada em primeira mão pelo DN, alfinetou três dos seus adversários.

E nem foi só Maria de Belém, cujo nome constava dessa lista. Questionada sobre se a ex-ministra da Saúde deveria retirar consequências do pedido de fiscalização aos juízes do Palácio Ratton, Marisa não fulanizou e alargou o leque de visados.

"As pessoas têm de fazer a sua avaliação. Na altura estranhei o silêncio de alguns candidatos relativamente a esta questão, que acho mesmo uma vergonha, mas depois percebi: estamos a falar de uma lista de deputados onde se incluem apoiantes do doutor Marcelo Rebelo de Sousa, do doutor Sampaio da Nóvoa e da doutora Maria de Belém. Explicar-se-ão eles... Eu já tinha dito a minha posição mesmo antes de conhecer qual era a lista de deputados que assinava este pedido", atirou a eurodeputada bloquista, após a incursão pela feira semanal, na qual contou com dois apoios de peso (Catarina Martins e Francisco Louçã).

Já sobre o acórdão do TC, Marisa não fugiu ao que na notara na segunda-feira, no Porto. "Logo quando saiu a decisão eu considerei que é uma vergonha que se tenha recuado nessa matéria. A decisão de 2005 estava bem, no sentido certo, no sentido de dizer que não é normal que ao fim de 12 anos um deputado ou uma deputada tenha direito a uma reforma vitalícia", assinalou.

E asseverou: "Significa que pode haver pessoas que, por exemplo, que não têm sequer 40 anos e já têm direito a uma reforma vitalícia num país onde tanta gente trabalha tantos anos - ainda agora falávamos com um senhor [que trabalhou] mais de 50 anos - e não têm as reformas totais, têm reformas de miséria ao fim de passarem a vida inteira a trabalhar. Acho que é um insulto para com pessoas e eu envergonho-me não só da decisão mas também de quem requereu esta decisão."

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