Maria Luís tem "déjà vu" e acena com fantasma de novo resgate

Ex-ministra das finanças vê governo a seguir o mesmo caminho de Sócrates e avisa que, quando mercado perceber, pode já ser tarde

A ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, antecipou esta manhã um cenário negro para a economia e finanças portuguesas caso o governo mantenha a atual política macroeconómica. Numa aula dada a alunos da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, a antiga governante diz que está a ter uma sensação de "déjà vu preocupante" ao perceber como "tão rapidamente se destrói aquilo que foi tão difícil de conquistar".

Maria Luís fez uma alusão à governação Sócrates, acenando até com o fantasma de um novo resgate. Para a ex-ministra o modelo que o governo de António Costa está a seguir, de aposta no consumo interno, "nem sequer precisava de ser testado, já foi testado no passado e resultou naquilo que sabemos: crise financeira e pedido de resgate".

A deputada e vice-presidente do PSD, que falava numa aula sobre o papel do Estado na economia, apontou sinais que considera preocupantes: "Hoje olhamos para a imprensa nacional, para os researchs dos bancos, para os relatórios das agências de notação financeira e temos uma sensação de déjà vu preocupante, com um aumento das taxas de juro, os avisos recorrentes sobre o caminho que está a ser seguido e os riscos que o país corre".

Maria Luís alertou para as "dúvidas que os investidores começam a ter relativamente à dívida pública" e avisa que "quando o mercado decidir que Portugal é um risco demasiado grande, já é tarde para atuar". Para a social-democrata o governo tem-se limitado a "distribuir riqueza, mas revela falta de vontade para criar riqueza para ser distribuída". E aí, adverte, "só está a criar dívida".

A ex-ministra das finanças foi dizendo várias vezes ao longo da intervenção que o caminho que está a ser seguido "pela atual maioria" é o do passado socialista, colando a atual governação à de José Sócrates. "Ao não reconhecer que a estratégia está errada, o governo está a condenar o país ao mesmo caminho. E de cada vez que chegamos a esse ponto, as consequências são piores".

A social-democrata apontou ainda a quebra do crescimento, o aumento do crédito ao consumo e o aumento das taxas de juro como outros sinais de que o caminho que está a ser seguido é o errado.

Maria Luís criticou também a forma como está a ser gerido o dossiê da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, dizendo que é um verdadeiro "manual do que não deve ser feito", numa "sucessão de trapalhadas que desrespeitam a instituição e o conselho de administração ainda em funções". A ex-ministra quer também saber quanto custa e como decorrerá todo o processo.

Na resposta a perguntas dos alunos, Maria Luís afirmou que "o PS atualmente está muito mais próximo da extrema-esquerda, afastando-se até dos valores (...) o que torna difícil acordos de longo prazo [com o PSD] em matérias como a educação". A ex-ministra fala em "cegueira ideológica" nesta área por parte da maioria e, por várias vezes ao longo da aula, lembrou que o PS rasgou o acordo de redução do IRC (que tinha sido acordado entre PS e PSD no tempo de António José Seguro).

Sem pudor em assumir uma posição ideológica, Maria Luís lembrou que o PSD sempre defendeu a iniciativa privada como motor da economia. Sectorialmente, falou ainda de áreas como a saúde, onde alertou que é preciso fazer boas escolhas para manter um "bom Serviço Nacional de Saúde". E atirou mesmo: "A saúde não tem preço, mas custa uma fortuna".

Maria Luís Albuquerque voltou a defender a introdução de um limite ao défice na Constituição, já que "daria força a um limite efetivo" da dívida.

Questionada pelos alunos se estava disponível para ser líder do PSD, Maria Luís Albuquerque respondeu de forma taxativa: "Nós temos um presidente do partido e estamos bem servidos. Por isso não percebo de onde vem essa pergunta".

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