Marcelo tranquilo com questão da TSU. Mendes arrasa Passos

Presidente da República acredita que o Governo vai resolver o problema e desdramatiza situação. Passos Coelho debaixo de fogo no PSD

O Presidente da República está confiante numa solução para o problema da TSU. Sublinhando que há reuniões marcadas entre o governo e os parceiros sociais para hoje e amanhã, fonte da Presidência diz ter "toda a confiança de que vai ser alcançado um acordo sobre esta matéria". De resto, esta mesma fonte recusa alinhar em qualquer dramatização do tema, afirmando que o governo vai, certamente, encontrar uma saída negociada com os parceiros sociais, e reforçando a ideia de que "não há razão para perder a serenidade neste momento", e que tudo será levado a bom porto.

O impasse surgiu depois de, na quinta-feira, o PSD ter anunciado que votaria (ao lado do BE e do PCP) contra a redução da TSU para as empresas, chumbando a medida, acordada por governo, patrões e UGT na concertação social, no âmbito da negociação do aumento do salário mínimo nacional. A votação ocorrerá porque PCP e BE tencionam avocar o decreto ao Parlamento assim este for publicado (nesta semana deverá ser remetido para a Presidência da República, para promulgação).

Domingo à noite, na SIC, no seu habitual comentário político dominical, Luís Marques Mendes arrasou Passos Coelho pela decisão contra a redução da TSU. "Uma decisão incompreensível", "pode ser um monumental tiro no pé", "o maior erro de Passos Coelho desde que está na oposição".

O problema, salientou, é que este é o terceiro ano em que há um acordo de aumento do salário mínimo nacional que prevê reduções na TSU. O primeiro foi em 2014, congeminado pelo governo de que Passos Coelho era primeiro-ministro; o segundo no ano passado, já com António Costa a primeiro-ministro (e o PSD absteve-se); e agora este, com o PSD a ameaçar votar contra. "Dir-se-á que o PSD de Passos Coelho é um cata-vento: teve uma posição em 2014, teve uma posição diferente no primeiro ano da geringonça e tem uma terceira posição, diferente de todas as outras, no segundo ano da geringonça." "É um desgaste brutal", afirmou.

Além do mais, "o PSD foi até hoje o partido que mais defendeu e estimulou a concertação social", é algo que "faz parte do seu ADN", e "se agora inviabiliza este acordo, dá uma machadada na concertação social e faz o jogo dos adversários da concertação social". Passos Coelho "é uma pessoa inteligente" mas que "não está a perceber que está a matar a boa imagem que criou no governo", "está a perder a imagem de político responsável e com sentido de Estado que antes tinha" e "parece agora um político radical".

Na RTP, um outro ex-dirigente e ex-ministro do PSD, Nuno Morais Sarmento, considerou que Passos "tem toda a razão" quando diz que não é ele que tem de resolver os problemas dentro da maioria de esquerda. Contudo, salientou ao mesmo tempo as dificuldades que o partido terá para explicar a sua posição, tendo em conta o seu histórico em matéria de TSU: "O país nunca vai perceber o voto do PSD."

O PS, pelo seu lado, continua a centrar o ataque no PSD, salvaguardando o PCP e o BE. "O que está em causa neste momento é saber de que lado está o PSD, se está a favor de um acordo e do respeito pela concertação social", afirmou Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS.

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