Marcelo pede inteligência e compreensão às autoridades europeias

Chefe de Estado deixou apelo sem o associar diretamente a nenhum tema específico

O Presidente da República pediu hoje às autoridades europeias que aliem "inteligência, competência, rigor à compreensão dos factos" e se baseiem "na correta avaliação das diversas economias", no final de um discurso sobre o sistema financeiro.

"Como europeísta convicto, tal como a maioria esmagadora dos portugueses, nada mais relevante do que esperar das autoridades europeias, das instituições europeias, que sejam capazes de aliar inteligência, competência, rigor à compreensão dos factos e ao equilíbrio subtil na sua apreciação", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado deixou este apelo sem o associar diretamente a nenhum tema específico, após ter falado no mecanismo europeu de resolução bancária, na conferência "O presente e o futuro do setor bancário", num hotel de Lisboa, numa intervenção em que também se referiu à apreciação do défice de 2015.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que, "como Presidente da República que teve e tem de tomar decisões de peso quanto a legislação largamente ligada ao quadro europeu, nada é mais desejável do que o não ter de equacionar eventuais conflitos entre interesses comunitários e o interesse nacional, até porque a grande razão de ser da opção europeia de Portugal foi e é precisamente o interesse nacional".

"Em suma, respeito convicto dos compromissos europeus assumidos. Mas, do mesmo modo, noção de que a afirmação da Europa, com o sucesso que nós europeístas desejamos, implica soluções sensatas, até porque baseadas na correta avaliação das diversas economias e sociedades que integram esse grande projeto de paz, de segurança, de desenvolvimento e de solidariedade social", concluiu.

Imediatamente antes, o Presidente disse que ouviu "com especial atenção a intervenção respeitante ao mecanismo de resolução" e considerou que se trata de "uma realidade nova", que "supõe um plano europeu e um plano nacional, complementares" e "exige um 'fine tuning' altamente sensível na sua aplicação, como tudo o que é novo e está a ser testado pela primeira vez".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu a este propósito que "não há soluções perfeitas nem definitivas" e considerou ainda que, "como todos os sistemas, deve estar sujeito à autoavaliação".

Neste discurso, dividido em dez pontos, o Presidente da República falou também na questão dos "ativos não produtivos" do sistema bancário, defendendo a "indispensabilidade de encontrar uma fórmula" para esse problema, "que não implique avançar para modelos de duvidosa exequibilidade ou de custos incomportáveis".

Sobre a apreciação do défice de 2015, voltou a ligar este resultado à governação PSD/CDS-PP, pedindo o "reconhecimento de um esforço feito pelo Governo em funções no ano anterior", mesmo se o valor ficar "ligeiramente acima dos 3%", descontados os custos com o Banif.

"Esforço esse que, penso, deve estar em mente dos decisores europeus quando se debruçarem sobre esta matéria", reforçou.

Por outro lado, apontou o caráter público da Caixa Geral de Depósitos como "um consenso nacional" e reiterou a sua posição sobre o peso de acionistas estrangeiros na banca nacional, expressando "a preocupação de evitar ostracismos ou exclusivos indesejáveis".

Na abertura desta conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos e pela TVI24, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, pediu "uma isenção" das regras europeias para que possa ser criado em Portugal um mecanismo para libertar os bancos do crédito malparado sem os "encostar a um mecanismo perigoso que é a diretiva de resolução".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG