Marcelo foi ver a Madeira "renascer" depois do fogo

Presidente esteve com pessoas que perderam casas e visitou Baixa da cidade. "No que depender de mim, ninguém se vai esquecer"

Já tinha caído a noite quando Marcelo Rebelo de Sousa chegou a São Pedro, na Baixa do Funchal. O negro das paredes queimadas já se confundia, àquela hora, com o negro do céu, mas, ainda assim, o Presidente da República não deixou de espreitar as ruas estreitas que há umas semanas foram inundadas pelo fogo.

Acompanhado pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e pelo presidente da câmara, Paulo Cafôfo, Marcelo ouviu explicações sobre os planos para o concelho.

A ideia, explicou o autarca, é aproveitar o momento e das cinzas fazer renascer uma nova cidade, "é pensar a cidade toda". Marcelo espantou-se: "Isso é uma tarefa hercúlea!" O arquiteto responsável pelo estudo acompanhava a visita. Paulo David detalhou os princípios do projeto: construção do edificado, acessibilidades e "dilatar o espaço público para que a cidade ganhe um novo fôlego e desenhe a memória do futuro".

Marcelo quer saber pormenores, faz perguntas, ensaia respostas, reage a números. Momentos antes, na Cancela, situada na parte mais alta da cidade, quando confrontado pelos jornalistas sobre os valores já avançados para o apoio à Madeira, atirou a comparação com Itália, que na semana passada sofreu um sismo que matou, segundo o último balanço, 291 pessoas. "O governo de [Matteo] Renzi anunciou 50 milhões para aquela tragédia. Nós portugueses, apesar de tudo, tivemos uma capacidade e uma generosidade financeira cujos números, comparados com aquilo que lá vimos, mostram que se alguém é apertado não somos nós."

O Chefe do Estado sublinhou que entre linhas de crédito e "decisões apalavradas" já houve "qualquer coisa como 60 e tal milhões de euros avançados". Para o futuro, atirou a ponte, com a ministra Constança Urbano de Sousa ao lado: "Agora vamos ver como é possível na área florestal e urbana refazer as vidas e prevenir que não volta a acontecer."

Pela parte que lhe toca, garantiu, o assunto não desaparecerá da agenda mediática quando chegar o inverno: "No que depender de mim, ninguém se vai esquecer." A ministra acenava positivamente. E Marcelo Rebelo de Sousa prosseguia: "No avião, à vinda para cá, vinha a falar com a senhora ministra sobre o ano que vem."

O Presidente da República falava à porta de uma casa que tinha acabado de visitar, na Cancela, onde estão alojadas 16 das 233 famílias que viram as casas ser consumidas pelas chamas.

Miguel Albuquerque, o presidente do governo regional da Madeira, acompanhou Marcelo Rebelo de Sousa na visita à Cancela e ao Regimento de Guarnição 3, onde, há três semanas, se reagiu à aflição e se alojou grande parte das pessoas que perderam as habitações. "Há uma coisa espantosa que é a capacidade de olhar para o futuro", dizia o Presidente da República, numa altura em que falta ainda alojar 80 famílias. "Eu acho que se virou uma página."

Essa ideia de olhar para a frente e seguir caminho estaria também presente na conversa com o presidente da autarquia funchalense, em que Marcelo falou em "recomeço" e "refundação".

Com os olhos postos no futuro, fartou-se de abraçar crianças na Cancela. Perguntou-lhes o nome, quis saber a idade, escutou opiniões sobre a nova casa, partilhou bolachas, leu cartas com agradecimentos e beijos "do fundo do coração", apalpou barriguitas e aconselhou cuidado com os doces para não engordar, avançou promessas de nunca se esquecer daquela cara redonda e sorridente ("estás gordita, mas com a idade isso passa") e tentou adivinhar o futuro: "Quem sabe se um dia não te casas com o meu neto..."

Enviada DN/TSF

Mais Notícias

Outras Notícias GMG