Maioria dos membros da Opus Dei são da classe média

A maioria das pessoas do Opus Dei em Portugal pertencem à classe média, embora sejam os membros que ocupam cargos relevantes aqueles que chamam mais a atenção, defendeu o Vigário regional da Obra, em entrevista à Lusa.

"Aqueles que chamam mais a atenção são aqueles que têm algum papel importante na sociedade. Mas esses são pouquíssimos e são a exceção", disse José Rafael Espírito Santo, sublinhando que existe "uma distorção" daquilo que é o Opus Dei em Portugal.

Segundo o responsável máximo da Obra, "em Portugal a realidade do Opus Dei tem pessoas de todos os âmbitos, existindo um retrato da sociedade, pelo que a maioria dos seus membros são pessoas da classe média".

José Rafael Espírito Santo admitiu que o facto histórico do Opus Dei ter iniciado o seu trabalho junto das comunidades universitárias pode ter influenciado a imagem que se foi construindo relativamente à Obra em Portugal.

"Ter um especial cuidado na evangelização da cultura e do Mundo universitário faz com que possam pertencer ao Opus Dei pessoas que desempenham cargos mais ou menos importantes. Quando se olha de uma maneira superficial, chama-se a atenção só para isso, mas isso não corresponde à realidade", indicou.

De acordo com o Vigário regional da Opus Dei, o fundador da Obra, Josemaria Escrivá, tinha a consciência de que "para transmitir bem a mensagem era preciso ter uma capacidade de compreendê-la e só depois poder transmiti-la".

"Foi assim que começou, mas rapidamente se foi estendendo a outro tipo de pessoas. O Opus Dei começou [em Portugal] o seu trabalho estável em 1946, exatamente com alguns universitários que se conheceram, mas depois também começou a chegar a todos os âmbitos", revelou.

Sobre um eventual secretismo em torno das pessoas que pertencem ao Opus Dei, José Rafael Espírito Santo desmistifica o assunto e defende que os membros da Obra "devem assumir a sua condição".

"Tenho a impressão de que todas as pessoas do Opus Dei assumem a sua condição, simplesmente não é uma coisa que exteriorizem. Se uma pessoa do Opus Dei está num sítio onde trabalha, onde convive e, se passado pouco tempo as outras pessoas com quem convive não sabem que é do Opus Dei, se calhar não está a viver bem a sua vocação", sublinhou.

Mota Amaral, deputado do PSD, é o único membro assumido do Opus Dei no Parlamento e Pio Alves de Sousa, bispo auxiliar do Porto, e Jacinto Botelho, bispo emérito de Lamego, são os únicos dois bispos da Obra em Portugal.

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