Jardim avisa Passos em relação à Zona Franca

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse na noite de domingo que se a palavra do primeiro-ministro "não for honrada" relativamente à Zona Franca "será outra a atitude" da região.

"A razão por que os deputados da Madeira votaram a favor do Orçamento [do Estado para 2012], embora com a declaração de voto que os senhores conhecem, é que antes da votação o primeiro-ministro lhes disse - aos deputados do PSD e ao deputado do CDS - que a Zona Franca ia para a frente", afirmou Alberto João Jardim.

O chefe do Executivo regional, que falava aos jornalistas ao chegar ao aeroporto da Madeira, sublinhou que foi "perante este compromisso" que os deputados "tiveram aquele voto".

"Têm a palavra do primeiro-ministro, agora compete ao primeiro-ministro cumprir a sua palavra. Da nossa parte, que estamos a negociar com a República, tivemos mais um gesto de boa vontade, acreditamos na palavra que nos deram", declarou o líder do Governo madeirense, advertindo: "A História não parou com este Orçamento do Estado. Se a palavra do primeiro-ministro não for honrada, obviamente que outra será a atitude da Madeira".

A semana passada, todos os partidos com assento parlamentar chumbaram a proposta dos deputados da maioria eleitos pelo círculo da Madeira para prolongar os benefícios fiscais da Zona Franca da região para além do corrente ano, situação que levou os parlamentares do PSD do arquipélago a admitirem não votar favoravelmente o Orçamento do Estado.

Sobre as negociações com o Governo nacional do programa de assistência financeira à região, Alberto João Jardim explicou que o Executivo Regional "só deixa de estar em gestão depois de aprovado o programa de Governo", pelo que não pode "fechar nada sem estar aprovado o programa de Governo na Assembleia".

"Há silêncio porque as coisas não estão ainda fechadas, portanto se não estão fechadas não se vai dizer coisas só por dizer", declarou.

Questionado se considera que a Madeira está a ser diabolizada dado o cenário actual, Alberto João Jardim acrescentou: "O que eu penso é que uma coisa é o que pensa o povo português e outra coisa é o que pensa a classe política e, em 30 e tal anos de vida politica (...), estou cada vez mais convencido que há um grande fosso entre a classe política que temos e o povo real do país profundo".

Para o líder do Governo Regional, esta situação significa que "o regime está velho, está esclerosado e é curioso ver que tendo havido uma mudança geracional em quase todos os partidos portugueses, essa mudança geracional tenha servido para um conservadorismo de regime".

À pergunta se está decepcionado com o actual Governo, de coligação PSD/CDS-PP, Alberto João Jardim disse: "Não, eu estou decepcionado é com a política portuguesa no seu global, vocês conhecem as minhas concepções sobre o país e não é isto que eu acredito para o país, conhecem as minhas concepções sobre a Europa, não é isto que eu acredito para a Europa".

Segundo o presidente do Governo Regional, "se não houver profundas mudanças, [o país] não desaparece, porque os países não desaparecem, embora na História haja isso, mas vai para o fundo e muito para o fundo".

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