Autor de trabalho diz que o tentaram silenciar

O autor do trabalho de investigação sobre a Zona Franca da Madeira 'Suite 605' denunciou hoje durante o lançamento do livro em Lisboa que "algumas pessoas influentes" o tentaram "silenciar".

O café da FNAC no Centro Comercial Colombo foi o espaço escolhido para o lançamento do livro 'Suite 605' (relativo a um gabinete na ilha), que, segundo o autor, "não é a que tem mais empresas registadas".

"Houve algumas pessoas influentes neste país que me tentaram silenciar", disse João Pedro Martins, admitindo ter sido "muito difícil escrever a partir da página 205 até à 245, onde está a colectânea das 1.000 empresas com proprietários, accionistas e ex-accionistas".

O economista Carlos Pimenta, convidado para falar na apresentação do livro, salientou a "grande coragem" do autor em publicar a investigação, que "alerta para uma realidade que está oculta".

Também presente no lançamento, o líder do BE, Francisco Louçã, admitiu tratar-se de uma "investigação detalhada que provocará muitos incómodos".

O livro revela que "o dinheiro estacionado nos paraísos fiscais ascende a 11,5 mil milhões de dólares, o equivalente a 50 por cento do PIB de Portugal" e que "a batota fiscal afecta directamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo".

Para o economista e líder do Bloco de Esquerda, o livro apresenta "dados perturbantes da economia da Madeira" e leva a crer existir "uma relação profunda entre o colapso financeiro e a cultura da vigarice e o que é revelado no livro".

Francisco Louçã voltou a contestar a existência de offshores que têm apenas "duas funções": "lavagem de dinheiro para o crime organizado e organização de esquemas para a evasão fiscal".

"As grandes multinacionais escolhem a Madeira como destino para migrar lucros e fugir aos impostos", lê-se no 'Suite 605'.

No final, o autor lamentou apenas que "grande parte destes negócios são burlas legais, que decorrem de acordo com a lei".

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