Louçã não acredita no desconhecimento de Sócrates

O dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã manifestou-se hoje contra a compra da Media Capital pela PT e considerou "implausível" que o Governo desconheça a operação como afirmou quinta-feira o primeiro-ministro.

"Rejeitamos a posição do Governo sobre esta matéria alegando um desconhecimento que obviamente é implausível e até ingénuo", afirmou Francisco Louçã, em conferência de imprensa no Parlamento.

Francisco Louçã defendeu que a operação "deve ser recusada em nome do pluralismo e da liberdade de informação", considerando que a concentração dos meios de comunicação social significa "perda de pluralidade e diversidade".

"Registámos que o ministro da tutela disse que o assunto não foi discutido na administração da PT", afirmou Louçã, duvidando que "um negócio de 150 milhões" não tivesse sido discutido no conselho de administração "onde o Estado se faz representar".

    Para Louçã, "há um aspecto muito político" no negócio, "não só pela intervenção do primeiro-ministro" no debate de quinta-feira mas também por, "em véspera de eleições" o Estado, através da PT, comprar um canal de televisão com o qual "existe um diferendo político importante".

    "O primeiro-ministro relacionou a compra da TVI por parte da PT com eventuais efeitos sobre a linha editorial", salientou.

"Um responsável político não pode usar o poder do Governo e do Estado, através da sua participação qualificada na PT para poder participar da escolha e da orientação geral de um canal de televisão", acrescentou.

Louçã rejeitou ainda a posição hoje transmitida pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira, ao referir que a lei da não concentração dos meios de comunicação social, vetada pelo Presidente da República, respondia ao problema da concentração.

"O projecto do Governo não teria qualquer incidência naquele processo, pelo contrário remetia para o regulador e para decisões casuísticas", considerou.

"O primeiro-ministro pode tentar fingir que não sabe de nada. A PT pode tentar fingir que não tem uma golden share (acção que confere poderes especiais) no Governo, mas o país não deve deixar de discutir o assunto", argumentou.

SF.

Lusa

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