Louçã diz que discurso de Passos foi pouco esclarecedor

O coordenador do BE considerou hoje que o discurso do novo primeiro-ministro não esclareceu "o ritmo" e "a forma" como o Governo vai aplicar as medidas de austeridade, defendendo que o cumprimento daquele plano está envolto "em nevoeiro".

"Os discursos confirmaram a orientação do Governo em linhas muito gerais, não conhecemos ainda o programa de Governo, conhecemos um texto muito vago, infelizmente demasiado impreciso, que é o do acordo do PSD com o CDS, e conhecemos os memorandos, que são um catálogo de acção executiva, permanente, controladíssima, a que o Governo se obrigou com muitíssima pouca margem de manobra", afirmou à agência Lusa Francisco Louçã.

Na intervenção de tomada de posse, Pedro Passos Coelho propôs aos portugueses "um novo pacto de confiança", anunciando que o Governo não nomeará novos governadores civis e promoverá um "Programa Nacional de Poupança".

O primeiro-ministro deixou também o compromisso de reduzir o endividamento do país e o que chamou de "embriaguez da dívida" e uma promessa: "Portugal não falhará".

O líder bloquista, que comentava o discurso de tomada de posse do novo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, cuja cerimónia de investidura teve lugar no Palácio da Ajuda, disse que o cumprimento do acordo assinado com a 'troika' "vive de um nevoeiro".

"Quem hoje garante cumprir aquelas medidas não disse uma palavra aos portugueses sobre a maior parte delas durante a campanha eleitoral, excepto a questão da taxa social única, em que apareceu uma proposta que não sabemos se é a que o Governo vai concretizar. Em todas as outras, pensões, salários, despedimentos, não houve nada durante a campanha, houve um silêncio comprometido e muito envergonhado", referiu, em tom crítico.

O coordenador da comissão política do BE assinalou que espera que se conheça nos próximos dias o programa de Governo, "porque ele é que vai esclarecer os ritmos e a forma" como vão ser aplicadas as medidas de austeridade previstas.

"Antecipo grandes dificuldades para o país, uma situação muito tensa, muito difícil, do ponto de vista económico e social, a bancarrota está a bater à porta das famílias, com o aumento dos impostos, dos juros, com a facilidade dos despedimentos", acrescentou.

Já sobre a extinção dos governos civis, hoje anunciada pelo chefe do executivo, Louçã notou que sempre a defendeu e que esse é apenas "um pequenino passo necessário".

"Acho que é um cargo que já não é necessário, pode ter sido justificado em algum momento mas não é necessário hoje, há muito tempo nas revisões constitucionais que o BE defende essa alteração, ela deve ser feita na Constituição e, portanto, tem sentido que se esgote a sua função, porque a coordenação das funções do Estado ao nível de cada distrito pode ser feita perfeitamente pelas entidades públicas que existem", concluiu.

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