Lisboa enche-se de manifestantes contra cortes

Lisboa encheu-se esta manhã de manifestantes contra o Orçamento do Estado para 2014, que foi aprovado pela maioria PSD/CDS. A ação mais marcante foi a concentração, convocada pela CGTP, à frente das escadarias do Parlamento.

Às 11.00 centenas de pessoas, com bandeiras e cartazes, estavam concentradas à frente das escadarias do Parlamento, contestando o Orçamento do Estado para o próximo ano.

"Este é um Governo que, pelo terceiro ano consecutivo, apresenta um Orçamento do Estado que destrói a economia, prolonga a recessão e aumenta a dívida. Um Orçamento que dizima o emprego e generaliza a precariedade. Um Orçamento que provoca o desemprego e a emigração forçada. Um Orçamento que esmaga os salários e as pensões e reduz os apoios sociais", vincou Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, antes de reivindicar o aumento do salário mínimo nacional e de exigir ao Presidente da República a fiscalização preventiva da constitucionalidade documento.

O líder da Intersindical defendeu ainda que a luta pela reposição das 35 horas de trabalho semanal na função pública, que o Tribunal Constitucional na véspera viabilizara, "não acabou" e prosseguiu apontando o dedo às tentativas de intromissão internacionais sobre as decisões dos juízes do Palácio Ratton.

"A Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional defendem mais cortes dos salários, defendem novos ataques à contratação coletiva, 'descentralizando-a', para destruir, ao mesmo tempo que forçam o embargo do Governo à publicação de portarias de extensão e ditam a criação de comissões para afastar dos tribunais a reposição da legalidade no caso dos trabalhadores injustamente despedidos", assinalou.

A UGT teve uma delegação, liderada pelo secretário-geral, Carlos Silva, nas galerias da Assembleia da República, tal como o DN já noticiara, durante a votação final global em plenário.

O "Dia Nacional de Indignação, Protesto e Luta" registou ainda outras ações de protesto. Os taxistas da Grande Lisboa iniciaram de manhã uma marcha lenta desde o Campo das Cebolas até à Assembleia da República e os trabalhadores do Metro realizaram um plenário de manhã, que deixou apenas a linha vermelha a funcionar com normalidade.

Já no Largo da Estrela concentram-se os trabalhadores dos distritos de Leiria, Santarém e do Alentejo, no Largo do Rato concentram-se os reformados e pensionistas, no Largo de Santos os trabalhadores do Distrito de Setúbal, no Largo do Camões os do distrito de Lisboa e no Largo Trindade Coelho encontram-se os jovens.

No IC19 um buzinão marcou o início do dia, com milhares de condutores a apitarem contra o Orçamento de Estado. A ação foi marcada pela Comissão da Mobilidade e Transportes do Concelho de Sintra, que colocou faixas de protesto ao longo das pontes e viadutos que atravessam o IC19.

Já em frente à EDP, no Marquês de Pombal, dezenas de trabalhadores do call center manifestaram-se contra a entrega dos serviços a empresas de serviço temporário. "Estamos a lutar contra esta política da empresa", explicou Pedro Ribeiro, delegado sindical do Sindicato das Industrias Electricas do Sul e Ilhas (SIESI).

"Cerca de duas mil pessoas dão a cara, a voz e o suor pela empresa, nem são da EDP e estão a ganhar entre 600 a 700 euros", diz o diretor sindical da SIESI, Paulo Ribeiro. A empresa que ganhou o concurso, a espanhola INDRA, pedia licenciados em economia e contabilidade para ganhar 600 euros por mês.

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