Jerónimo critica Governo e PR por descartarem renegociação da dívida

Líder do PCP diz que país está "amarrado de pés e mãos" devido à dívida elevada

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje em Braga o Governo e o Presidente da República por considerarem "extemporânea" a discussão da renegociação da dívida portuguesa.

Falando numa ceia de fim de ano promovida pelo PCP de Braga, Jerónimo de Sousa sublinhou que Portugal "tem uma das maiores dívidas do mundo", que deixa o país "amarrado de pés e mãos".

"É preciso renegociar a dívida para que Portugal possa crescer e desenvolver-se", disse Jerónimo de Sousa criticando aqueles, "incluindo o Governo e o Presidente da República", que dizem que não é tempo de discutir a renegociação da dívida e que "até avançam" com a ideia de que é preciso esperar pelas eleições em países como a Alemanha, a França e a Holanda.

"Um país que se quer soberano, um povo que quer ser livre, pode estar dependente das eleições na Alemanha, na Holanda e na França ou, pelo contrário, temos o direito de propor essa renegociação independentemente dos resultados [eleitorais] estrangeiros?", questionou.

Na sexta-feira, o Presidente da República considerou "prematuro e extemporâneo" fazer uma discussão sobre a renegociação da dívida portuguesa, face ao período de eleições que vai ter lugar, durante o próximo ano, em vários países fundadores da União Europeia.

"Estar a especular sobre cenários europeus num ano em que vai haver eleições em várias das economias fundadoras da União Europeia, até, praticamente, daqui a um ano, estar a especular sobre o que será a Europa nessa altura, e estar a fazer um debate sobre matéria da dívida, é completamente prematuro e extemporâneo. Não faz sentido", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

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