Jardim de Rendeiro comprado por offshore ligada a Salgado

Compra foi feita por um representante da Penn Plaza, criada através de empresa do GES com sede em Lausana

João Rendeiro, ex-presidente do Banco Privado Português (BPP), adquiriu parte da sua moradia nos lotes 80 e 81 da luxuosa Quinta Patiño através de uma offshore criada pela Mossak Fonseca para o Grupo Espírito Santo, na qual Ricardo Salgado, então presidente do Banco Espírito Santo (BES), esteve diretamente envolvido. Esta é a última revelação dos Papéis do Panamá feita pelo Expresso e pela TVI, membros do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação que teve acesso aos documentos da sociedade de advogados panamiana.

A offshore em causa é a Penn Plaza Management Inc., criada a 25 de abril de 1997 através da Gestar SA (empresa do GES com sede na Suíça) com um capital de 50 mil dólares, segundo informações da TVI. Um ano depois, é passada uma procuração a um administrador do BES para contratar empréstimos e abrir contas em nome da Penn Plaza nas Ilhas Virgens Britânicas. O mesmo representante que a 4 de dezembro de 1998 firmaria o contrato-promessa para comprar o lote 80 da Quinta Patiño, em Cascais - onde fica o jardim da casa de João Rendeiro, que está no lote 81.

"Em relação à Penn Plaza, é matéria que será apreciada em tribunal, por isso nada posso esclarecer neste momento", disse João Rendeiro à TVI. Questionado sobre que relação teve com o GES, respondeu: "Nenhuma." O DN tentou falar com o ex-presidente do BPP, mas este não respondeu aos contactos até à hora de fecho desta edição.

Uma carta de 23 de julho de 2002, que faz parte dos Papéis do Panamá, atesta o envolvimento do ex-presidente do BES nesta offshore. Na missiva, a Penn Plaza pede ao BES das ilhas Caimão o "bloqueio dos montantes e valores existentes na conta em favor da Compagnie Bancaire Espírito Santo SA, Lausanne, para cobrir as garantias que o Senhor Ricardo Espírito Santo Silva Salgado tomou ou poderia tomar no futuro com o referido banco, até ao montante de 750 mil francos suíços", equivalente a quase 690 mil euros ao câmbio atual.

Contactada pelo DN, fonte oficial do banqueiro garantiu ao DN que Salgado "tem a sua situação fiscal totalmente regularizada". "As notícias do Expresso e da TVI visam apenas continuar com uma campanha de difamação e especulação que não se coaduna com um jornalismo dito credível", acrescentou a mesma fonte.

Em 2004, a Penn Plaza passou a ser domiciliada no estado norte--americano do Nevada e um ano depois é emitida uma procuração que dá poderes de movimentação das contas a vários administradores do BPP - não é referido o nome de Rendeiro, na altura presidente do conselho de administração. Entretanto, diz a TVI, de maio de 2005 e julho de 2006, o banqueiro fazia obras de requalificação no jardim do lote 80, adjacente à sua casa.

Investigadores do Ministério Público já tinham dito em janeiro que João Rendeiro era o "beneficiário efetivo" da Penn Plaza, num despacho de acusação num processo sobre branqueamento de capitais e fraude fiscal, pelo alegado desvio de quase 30 milhões de euros do BPP em prémios e outros benefícios para si. Em maio de 2015, a casa e o jardim foram arrestados pela Justiça.

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