Inquérito a anestesista diz que não há acusação

O processo de averiguações instaurado pelo Hospital de Braga ao caso do médico que anestesiou vários doentes à mesma hora e em salas diferentes conclui pela "inexistência de matéria de facto", informou hoje a administração.

"O que se concluiu é que não havia razões para as acusações", explicou, à Lusa, fonte da administração do Hospital de Braga. Esta conclusão já foi transmitida à Administração Regional de Saúde do Norte, à Entidade Reguladora da Saúde e à Ordem dos Médicos. Esta polémica está relacionada com Mário de Carvalho, médico anestesista que é também o diretor clínico do hospital de Braga.

O caso tinha sido denunciado, sob anonimato, por um alegado grupo de anestesistas daquele hospital, que falava em "má prática clínica, suscetível de colocar em risco a vida dos doentes", tendo depois chegado, em novembro, à Assembleia da República através do Bloco de Esquerda.

Em requerimento dirigido ao ministério da Saúde, o deputado bloquista João Semedo apelidava aquele médico de "turbo-anestesista" e relatava, com detalhe, as horas e minutos em que o especialista "foi apanhado, à mesma hora, em diferentes salas". Num só dia, terá ministrado anestesia a 17 doentes.

João Semedo voltou ao assunto, questionando o ministério da Saúde sobre as conclusões do processo de averiguações. No requerimento, o deputado diz ainda que o BE "sabe" que a condução desse processo foi confiada a um subordinado hierárquico do anestesista em questão, que é diretor clínico do hospital, manifestando "estranheza" por essa situação, que contraria o que "é a prática na administração pública e hospitalar".

Uma afirmação que a administração do hospital garante ser falsa, já que o médico responsável pelo processo de averiguações "não pertence aos quadros clínicos" daquela unidade nem com ela mantém qualquer tipo de colaboração.

O BE acrescenta que os "acontecimentos" em causa "levaram ao afastamento", a seu pedido, de Nuno Morujão de diretor do serviço de anestesiologia do Hospital de Braga e, posteriormente, à saída daquela unidade hospitalar.

Também esta questão é negada pelo Hospital de Braga, que assegura que Nuno Morujão se demitiu em data anterior aos referidos acontecimentos e rescindiu, posteriormente, o seu vínculo contratual, para desempenhar novos cargos numa instituição de saúde privada.

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