Igreja mantém em funções padre condenado por abusos sexuais

O bispo podia ter suspenso cautelarmente o ex-prior da Golegã mas não o fez. António Santos arrisca expulsão pela Santa Sé. Mas o processo canónico só segue para o Vaticano depois da Páscoa.

António Santos, ex-padre da Golegã condenado na quinta-feira a uma pena suspensa de 14 meses de prisão por abusos sexuais de crianças, continua ao serviço da Igreja. Já não como prior mas, ainda assim, "em funções, como sempre esteve", assegurou ao DN o vigário--geral da diocese de Santarém, Aníbal Vieira. O bispo de Santarém podia ter suspendido cautelarmente o sacerdote de todas as funções, ao abrigo das normas da Santa Sé de 21 de maio de 2010 sobre o novo tratamento a dar a casos de abuso sexual de menores por clérigos, como esclareceu fonte especialista em direito canónico. Mas D. Manuel Pelino Rodrigues ainda não o fez e só tomará uma decisão depois da Páscoa.

Agora, que funções manterá António Santos? "Há sempre trabalho na Igreja para fazer, nem que seja rezar", respondeu o porta-voz da diocese de Santarém. O clérigo arrisca a expulsão pela Santa Sé, a pena mais grave que habitualmente tem sido aplicada a sacerdotes que veem provada a sua culpa em tribunal. Antes dessa fase, o bispo de Santarém vai sempre a tempo, se o entender, de decretar a medida cautelar de suspensão de funções com proibição de contactar com crianças. Precisamente, a pena acessória que o coletivo de juízes não quis aplicar.

O processo canónico de averiguações foi aberto "antes do processo-crime", segundo o padre Aníbal Vieira e já está concluído. Será remetido à Santa Sé depois do parecer do bispo de Santarém. O que só acontecerá depois do período pascal. "O bispo está no encontro da comissão episcopal da Educação. Só depois da Páscoa tomará uma decisão sobre o processo", referiu o padre Aníbal Vieira. Até lá, o ex-sacerdote da Golegã vai continuar com a sua vida na Igreja.

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