IAVE aceita duas respostas no exame de Português

Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) vai aceitar as duas hipóteses de resposta, na questão de gramática que tem sido contestada por professores de Português e linguistas.

Apesar de manter que a resposta à questão 2.3 do Grupo II do exame de Português do 12.º ano é "ato ilocutório compromissivo", o instituto responsável pela realização dos exames nacionais anunciou hoje que vai aceitar duas respostas como corretas.

Em comunicado, o IAVE "vem reafirmar a correção" do critério que estabeleceu e esclarece que este corresponde "a uma interpretação do texto validada pelos especialistas em Linguística que colaboram com a equipa responsável pela elaboração da prova".

Assegurando que "em causa está a interpretação do ato ilocutório realizado [...] que em caso algum pode ser analiasado sem o contexto do suporte textual em que se insere. De acordo com esta análise contextual, apenas se admite como resposta correta a apresentada nos critérios de classificação".

No entanto, como tal resposta foi contestada pela Associação de Professores de Português (APP) e linguistas e teve eco na comunicação social, o IAVE "seguindo os procedimento de transparência e de rigor" pediu pareceres a outros especialistas independentes. O resultado dos mesmos mostra que esta matéria "não reúne consenso alargado entre os membros da comunicade académica".

Em resultado dessas análises, o IAVE "de modo a salvaguardar os interesses dos alunos e a garantir a equidade no processo de classificação" decidiu "aceitar também a resposta "ato ilocutório assertivo".

Em causa está uma questão que vale 5 pontos - em 200 -, ou seja, 0,5 valores em 20. A APP considerou, na quinta-feira passada, que depois de uma análise à prova e de vários pareceres recebidos por professores, a frase indicada "não aponta claramente para o ato ilocutório referido nos critérios por não expressar, de modo objetivo, intenção de se comprometer a realizar uma determinada ação no futuro", como determina a definição científica do ato compromissivo. Por isso, a associação defende que a resposta é "ato ilocutório assertivo".

A pergunta refere-se à última frase do último parágrafo do texto de Lídia Jorge sobre Eça de Queirós: "É por isso que, para além do culto que a obra de Eça legitimamente merece, por mérito próprio e grandeza genuína, se deve reconhecer, para sermos justos, que muita da admiração totalitária que Eça desencadeia nasce porventura duma espécie de preguiça e lentidão em entender, ainda nos nossos dias, a linguagem diferente daqueles que lhe sucederam. O que não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos."

É pedido aos alunos que classifiquem o ato ilocutório presente em "Como um dia veremos".

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