Hospital de Braga estranha greve de enfermeiros e diz manter "abertura negocial"

A administração do Hospital de Braga manifestou hoje estranheza com a "posição pública" dos enfermeiros da unidade, que anunciaram quatro dias de greve

"A administração do Hospital de Braga, demonstrando abertura negocial, perante as preocupações do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, reuniu já por duas vezes, no espaço de um mês, com esta estrutura sindical", sinaliza o hospital em nota endereçada à agência Lusa.

O texto surge depois de anunciado, em conferência de imprensa, que os enfermeiros do Hospital de Braga vão fazer quatro dias de greve para exigir o pagamento das 30 mil horas de trabalho em atraso, contra a "discriminação salarial" e pela admissão de mais profissionais, anunciou hoje o sindicato.

Em conferência de imprensa, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses explicou hoje que a jornada de luta dos profissionais do setor no hospital de Braga, gerido pelo Grupo Mello Saúde numa Parceria Público Privada, vai ser cumprida no dias 29 e 30 de setembro e a 03 e 04 de outubro.

A administração do Hospital de Braga sublinha que na primeira reunião com o sindicado foram escutadas as "questões que preocupam" a estrutura, e no segundo encontro, tido já esta semana, foram apresentadas pela administração da entidade "propostas concretas"."

Estas propostas seriam, na tarde de hoje, de acordo com os representantes do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), apresentadas em reunião plenária aos enfermeiros representados por esta estrutura sindical. No final da reunião realizada, esta semana, entre sindicato e administração do hospital, todos concordamos em reunir, novamente, este mês para continuação do processo negocial", adverte a unidade de saúde, que estranha o anúncio de greve dos enfermeiros.

E concretiza: "Estranhamos a posição pública assumida pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses num momento em que a administração do Hospital de Braga estava na disposição de poder solucionar questões que preocupam não só esta estrutura sindical, mas também a administração deste hospital".

Declarando "respeitar" o "direito à greve", a administração do Hospital de Braga refere, todavia, no comunicado, não entender "a convocação da paralisação de quatro dias quando ainda não estavam esgotadas todas as possibilidades negociais, sendo certo que esta decisão causará transtorno aos utentes" do hospital.

Pela voz da dirigente nacional Guadalupe Simões, o SEF explicou que o hospital, nas reuniões com o sindicato, ofereceu uma "mão cheia de nada" perante as reivindicações dos enfermeiros, pelo que era "inevitável" partir para a greve.

"As respostas da administração às exigências dos enfermeiros foram uma mão cheia de nada. Quando estão 30 mil horas a mais por pagar aos enfermeiros [cerca de 500 mil euros] e a proposta que nos fazem é que esse trabalho seja considerado trabalho normal e para ser pago durante quase três anos, sem haver um plano de admissão de enfermeiros, significa que estas horas nunca irão ser pagas", apontou.

"Quando não se propõe diminuir ou extinguir a discriminação salarial entre os enfermeiros, quando se continua a admitir enfermeiros a recibo verde, quando tudo isto acontece e não nos dão respostas, é inevitável esta greve", acrescentou.

A sindicalista deixou ainda a garantia que durante os dias de greve estarão assegurados os serviços mínimos.

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