Hospitais podiam fazer mais 108 mil cirurgias por ano

Relatório conclui que metade dos hospitais não têm os cirurgiões a operar o tempo que seria desejável

Os hospitais públicos têm capacidade para realizar mais 108 mil crurgias do que as que fazem atualmente por ano. De acordo com a Avaliação da Situação Nacional dos Blocos Operatórios, um trabalho publicado pelo Ministério da Saúde, cada sala de operações poderia realizar 1152 operações por ano, caso se atingisse a meta adequada. O relatório conclui ainda que metade dos hospitais não têm os cirurgiões a operar o tempo que seria desejável, ou seja, 30% do seu horário de trabalho. Resta saber se o país necessitaria de todas estas intervenções a mais.

O trabalho publicado no site do Minsitério da Saúde avalia a situação em 2014 de 48 hospitais e centros hospitalares, que concentram 569 salas de cirurgia. Jorge Penedo, o coordenador do grupo de trabalho, resume as conclusões ao DN. "Concluímos que podemos melhorar a oferta que temos e fazer mais cirurgias, desde que tenhamos mais anestesistas. Mas penso que o País não necessita de tantas horas de bloco".

Atualmente, o que se preconiza é que um bloco funcione cinco dias por semana e durante 12 horas. Deste horário, espera-se uma ocupação de 80%, já que é necessária alguma folga para os casos urgentes ou imprevistos.

"Este é um ponto de partida. Agora é preciso ver se há procura que justifique e se existem os recursos humanos, seja eles enfermeiros ou anestesistas".

O mesmo estudo faz um levantamento aos recursos humanos e conclui que o nível de cirurgiões permitiria operar mais. Fazer mais 67 mil cirurgias. O problema está nos anestesistas que, pelo contrário, estão até horas a mais a trabalhar no bloco operatório, muitas vezes acima de 50% do seu horário, que é o nível pretendido.

"Era possível operar mais. Podemos ter salas livres e cirurgiões, mas para cada cirurgia precisamos de um anestesista e nem sempre existem os recursos necessários", conta. A juntar a isso, há outros vieses. "O número de cirurgias urgentes, o peso do ambulatório, ou a classe dos cirurgiões, que está muito envelhecida.

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