Hospitais já pediram mais reservas de 'tamiflu'

Um dia depois de a Organização Mundial de Saúde ter elevado o nível de alerta para quatro, confirmando que o risco de pandemia global é real, chegam a Lisboa, num voo 'charter', os primeiros 200 passageiros vindos directamente do México, o país mais afectado. Em Portugal, as pessoas com sintomas de gripe estão a ser aconselhadas a ficar em casa.

Os hospitais portugueses já pediram reforço do stock de Tamiflu - o medicamento que está a ser usado nos outros países para tratar os doentes infectado com o vírus da gripe suína. É que muitos estabelecimentos destacados para acolher eventuais infectados, entre eles os hospitais Curry Cabral, em Lisboa, e São João, no Porto, não tinham reservas suficientes daquele antiviral, criado como resposta à gripe das aves. E as autoridades querem ter tudo pronto para hoje, dia em que, como revelou ontem o DN, chegam a Lisboa, num voo charter, os primeiros 200 passageiros directamente do México.

Sobretudo depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter elevado o nível de alerta para o 4, numa escala de 6. Isto significa que a OMS confirma que o vírus H1N1 é transmissível entre humanos.

Entretanto, o DN sabe que há pessoas que vão aos hospitais com sintomas de gripe e que por terem viajado recentemente são aconselhadas a ficar em casa durante dez dias, o período em que a doença é contagiosa. No entanto, ontem às 22.30, o director-geral de saúde garantiu ao DN: "Não há qualquer suspeita em Portugal." Hoje, a ministra da Saúde vai fazer uma nova comunicação ao País sobre a gripe.

Ana Jorge garantiu ainda que os hospitais puseram em prática o plano de contigência para as gripes. Segundo adiantou ao DN Manuel Delgado, o director do hospital Curry Cabral, a reserva actual apenas daria para tratar dois doentes durante uma semana. Por isso, foram solicitados à DGS mais 200 comprimidos, com chegada prevista nas próximas horas. "Mas se entretanto a situação mudar, receberemos mais", explicou o administrador. No Hospital de São João, no Porto, a reserva daquele medicamento também estava vazia. "Não tínhamos os medicamentos suficientes. Apenas para um ou dois casos. Por isso, contactámos a DGS logo pela manhã [de ontem]", referiu ao DN o director clínico, explicando que, caso a situação evolua e apareçam casos em Portugal, a reserva será alargada.

Nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e no Dona Estefânia, as outras unidades destacadas para receber casos suspeitos, os serviços farmacêuticos consideraram que a quantidade de Tamiflu existente, apesar de pequena, é suficiente para esta fase de alerta. Mas, se aumentar, estão no topo da lista para receber reforços, sabe o DN.

Segundo fonte da farmacêutica Roche, o laboratório que comercializa o Tamiflu, ao todo, há 250 milhões de encomendas em todo o mundo, tendo o laboratório capacidade para disponibilizar imediatamente 400 milhões de doses. Em Portugal não há nenhum centro a fabricar o medicamento, mas a reserva estratégica do Estado português já está garantida. Ao todo, são 2,5 milhões de doses, comprados em 2005 para a gripe das aves, que a DGS distribuirá em caso de pandemia. Por enquanto, estão num local secreto.

Além dos hospitais, também as farmácias estão a solicitar mais doses deste antiviral. "Hoje já vendi dois Tamiflu e encomendei 30", adiantou ao DN Elisabete Lopes, directora da farmácia Uruguai, em Lisboa. O mesmo pedido de reforço foi feito pela farmácia Mafalda, no Porto. "Hoje de manhã vendemos duas embalagens, acabando o stock", explicou ao DN o farmacêutico Rui Lopes, adiantando que um dos clientes também já encomendou seis máscaras. Muitas outras farmácias não têm Tamiflu porque nos últimos anos não houve procura suficiente. "As últimas caixas que tivemos, mandámos para trás por terem ultrapassado o prazo de validade", disse ao DN o responsável pela farmácia Africana, em Lisboa. O Tamiflu só é vendido com receita médica e custa 25,17 euros.

As autoridades de saúde portugueses garantiram ontem que não existia nenhum caso no País e adiantaram que nem uma das 730 pessoas que entre as 13.00 de sábado e as 17.00 de ontem contactaram a Linha de Saúde 24 tiveram de fazer testes para despistar suspeitas. "Nenhum se enquadrou dentro dos parâmetros da doença", explicou ao DN Sérgio Gomes, responsável pela Linha.

A ministra da Saúde, Ana Jorge, por seu lado, fez ontem um comunicado para sossegar os portugueses. "Garanto que não há motivos para alarme", disse, assegurando que Portugal activou todos os mecanismos previstos de acordo com as orientações da OMS. A governante, ao contrário da ministra de Saúde espanhola, nem sequer desaconselhou os portugueses a viajar para as áreas afectadas, salientando só que as pessoas têm de estar conscientes dos riscos.

As quatro unidades destacadas para receber casos suspeitos garantiram ao DN que já puseram em prática medidas especiais: desde questionários mais exaustivos na triagem, circuitos internos para evitar o contacto com outros utentes e quartos de isolamento.

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