Honório Novo (PCP) acusa primeiro-ministro de mentir sobre capacidade produtiva dos Estaleiros

O deputado do PCP Honório Novo acusou hoje o primeiro-ministro de ter mentido sobre a capacidade produtiva dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, alegando que as encomendas desta empresa até 2014 ascendem a 500 milhões de euros.

Durante o debate do Programa do Governo no Parlamento, em resposta ao secretário-geral do PCP, o primeiro-ministro afirmou que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) constituem "um problema sério" para o Estado português porque "não têm hoje, como não têm tido nos últimos anos, garantidas encomendas a preços competitivos que possam representar uma receita sustentável para os próximos anos".

Passos Coelho acrescentou que o Governo vai analisar o programa de reestruturação desta empresa, que prevê o despedimento de 380 dos actuais 720 trabalhadores, advertindo: "Não colocaremos os contribuintes portugueses a pagar mais uma empresa pública que não tem viabilidade para futuro".

O deputado do PCP Honório Novo aproveitou os pedidos de esclarecimento ao ministro das Finanças, Vítor Gaspar, para acusar o primeiro-ministro de ter dito "uma mentira" ao afirmar que os ENVC estavam "sem encomendas".

Os ENVC "têm neste momento carteiras de encomendas até ao final de 2014 no valor de 500 milhões de euros, têm toda a estrutura de produção ocupada, como nunca tiveram nos últimos anos" e "haverá poucos estaleiros no mundo com a capacidade de produção totalmente tomada" como estes, alegou Honório Novo.

"Donde, mais uma vez, os senhores são cúmplices do PS ao tentar despedir 380 trabalhadores com um único objectivo: vender a carne, privatizar a carne para os grupos privados interessados nos ENVC", acusou.

Na resposta a Honório Novo, o ministro das Finanças contrapôs que "o primeiro-ministro, com o devido respeito, não disse o que o senhor deputado atribuiu ao primeiro-ministro".

Quanto aos ENVC, o que o Governo vai fazer "é estudar a situação do programa de reestruturação financeira e tomar decisões com base na informação que esse estudo nos dará, baseado numa visão integrada e abrangente do problema em questão", acrescentou Vítor Gaspar.

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