Homem foi escravizado durante seis anos

As varas criminais do Porto começaram esta quinta-feira os julgamentos de dois feirantes acusados de sequestrar e escravizar um homem com ligeira deficiência intelectual.

Os dois arguidos alegadamente extorquiram o Rendimento Social de Inserção da vítima durante seis anos.

De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), que foi lida na primeira sessão do julgamento, o homem de 46 anos estava desempregado e com dificuldades económicas. quando os dois feirantes o aliciaram para uma relação laboral, que consistiria em vender pensos na tua a troco de comida e abrigo. Posteriormente terão levado o ofendido para feiras para vender balões e brinquedos, e ficado com os seus documentos e quantias de RSI.

O homem terá tentado fugir duas vezes, contudo quando os arguidos o encontravam agrediam-no, intimidavam-no e ameaçavam-no.

Durante o depoimento o homem, que de acordo com a acusação, sofre de uma ligeira deficiência intelectual e apresenta problemas cognitivos, falou do acordo que fez, em que tinha de vender em feiras e festas a troco de 75 euros, comida e dormida. Acrescentou ainda nunca ter recebido essa quantia por parte dos arguidos, a quem entregava o rendimento de 145 euros para pagar "um empréstimo" que tinha contraído com eles, relativamente à renda da casa, contas de água e luz.

Num discurso por vezes contraditório e confuso, o ofendido disse que os arguidos "eram amigos" e que cuidaram dele quando teve um AVC. Afirma ainda que lhe davam dinheiro para comprar vinho e tabaco, mas que "tinha medo", e que levou um estalo, chegando mesmo a fugir "porque não queria mais andar com eles" nem trabalhar nas feiras.

"Fui dormir para o mercado da Boavista para não estar com eles", relatou a vítima que acabou por confessar que "tinha medo de ir para casa" , pois ficava perto da dos arguidos e da qual eles tinham a cópia da chave da porta, facultada pelo próprio.

O irmão do ofendido contou ao coletivo de juízes que ele "ligou uma vez a dizer que estava aflito".

Os dois arguidos estão acusados pelos crimes de sequestro, escravidão, maus tratos e extorsão. O julgamento prossegue no dia 4 de abril, pelas 10.30 na primeira vara do Tribunal de São João Novo.

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