Habitantes de Campo Maior vão a Espanha porque "algo não está bem" em Portugal

O autarca de Campo Maior, Ricardo Pinheiro, reconheceu hoje que muitos habitantes do concelho recebem assistência médica em Badajoz, devido à proximidade geográfica, mas também porque "alguma coisa não está a funcionar bem" nos serviços de Saúde portugueses.

"Isto também é o resultado de alguma coisa que não está a funcionar bem em termos dos cuidados de Saúde aqui da nossa região", frisou.

O presidente da Câmara Municipal de Campo Maior argumentou que, "se as pessoas se sentissem confortáveis e perfeitamente seguras em relação aos cuidados médicos" em Portugal, não recorreriam, "com tanta periodicidade", aos serviços hospitalares de Espanha, apesar da proximidade geográfica.

"O facto de os cuidados de Saúde em Badajoz terem ganho alguma notoriedade, em relação à resposta que tem vindo a ser dada aos pacientes portugueses", leva as pessoas, "no seu livre arbítrio e tendo a possibilidade de usar o Cartão de Saúde Europeu", a "optar por utilizar o hospital de Badajoz", explicou.

O autarca deste concelho alentejano, situado a cerca de 10 quilómetros da cidade espanhola de Badajoz, onde existe o Hospital Infanta Cristina, que "tem todas as especialidades médicas", falava à Lusa a propósito de um relatório do Tribunal de Contas espanhol.

O Tribunal de Contas espanhol apontou o "uso abusivo" que cidadãos portugueses e de outros países europeus fazem da sua assistência médica, usando o Cartão de Saúde Europeu, o que custa centenas de milhões de euros a Espanha.

O relatório refere que o número de faturas emitidas a cidadãos de França e Portugal "supera significativamente a média" do resto dos países da União Europeia, com a prestação de cuidados de saúde centrada nas províncias fronteiriças de Pontevedra (Galiza) e Badajoz (Estremadura).

O tribunal adverte que há um "importante" número de cidadãos portugueses que vai "deliberadamente" a Espanha para receber cuidados médicos e que não está lá a residir temporariamente, o que "desvirtua o objetivo do Cartão de Saúde Europeu, que só deve ser usado conjunturalmente".

O autarca de Campo Maior realçou que as pessoas que habitam neste concelho alentejano, assim como no de Elvas, "fazem da vida em Badajoz quase a sua vida quotidiana" e deslocam-se à cidade espanhola "com muita frequência".

Segundo Ricardo Pinheiro, a proximidade aliada ao acesso ao Cartão de Saúde Europeu, "propicia" que recorram aos serviços do Hospital Infanta Cristina: "Facilita, claramente, a deslocação para o outro lado da fronteira, em muitas ações de cuidados de Saúde".

Para alterar este cenário, o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior sustentou que é preciso que "as pessoas do concelho tenham cuidados de Saúde", na sua região, "à altura de responder aos problemas que lhes vão aparecendo", cabendo ao Governo português garantir essa resposta.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG