Há um ano a ver filas de trânsito pelo retrovisor

Farto de ficar preso no trânsito diário da Marginal que liga Cascais a Lisboa, Ricardo Silva decidiu estacionar de vez o carro e trocá-lo por uma mota 125cc. Ao fim de um ano em 'duas rodas', dá a aposta como ganha: filas de trânsito, agora, só no espelho retrovisor.

Ricardo Silva foi um dos que decidiu correr o risco de trocar o carro por uma moto de 125 centímetros cúbicos (cc) de cilindrada. Precisou de esperar pela entrada em vigor, há um ano, da lei que permite aos maiores de 25 anos detentores de carta de condução para ligeiros (categoria B) conduzir motos até 125cc, sem que seja necessária qualquer outra licença.

A decisão pareceu-lhe a melhor depois de ponderados os prós e contras e, passado um ano, não mostra qualquer sinal de arrependimento: "Acabou por valer a pena e agora não quero outra coisa. É muito mais prático, muito mais económico e não há filas de trânsito".

O percurso entre São Pedro do Estoril, onde vive, e a Amadora, onde trabalha, demorava cerca de uma hora a percorrer de carro e chegava a uma hora e meia em hora de ponta. De mota precisa apenas de meia hora, 45 minutos nas horas de maior tráfego. Mas não foi apenas tempo que Ricardo Silva poupou.

"A moto é bastante mais barata. Consome três litros de gasolina, o carro consumia seis ou sete; gastava 120 a 150 euros por mês em gasolina, agora gasto 60 a 80", diz.

Poder conduzir motorizadas com carta de ligeiros e sem estar obrigado a passar pela escola de condução levantou preocupações com a segurança. Ricardo Silva não foi excepção

"O factor da segurança fez-me pensar bastante, tinha mesmo aquele receio normal, porque num carro bate-se e tem-se a chapa à volta, na mota cai-se e não há nada. Ainda não caí e até agora sinto-me seguro. Também é uma questão de bom senso, andar devagarinho e com controlo", afirma.

De acordo com os dados dos relatórios anuais e mensais da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária não é possível inferir o impacto da alteração da lei na sinistralidade de motos com cilindrada entre 50cc e 125cc, porque não são especificadas as características dos veículos envolvidos nos acidentes.

No entanto, em termos gerais, de acordo com os relatórios, não se registaram alterações significativas no número de acidentes envolvendo motociclos desde que a nova legislação entrou em vigor.

A pensar em dar resposta aos receios dos clientes, Miguel Osório, responsável por um stand em Lisboa de uma das principais marcas de motas no mercado, lançou uma campanha original.

"O que tentamos fazer é, com algumas campanhas que temos para as motos 125cc, englobar umas aulas de condução, que fazem com que a pessoa consiga ganhar esse conhecimento da mota. Com essa campanha acabamos por conseguir que o cliente tenha um pouco de experiência. Uma 125cc é quase como aprender a andar de bicicleta", diz.

Miguel Osório notou, com a nova lei, o aumento da procura por motos até 125cc e refere que passou de uma situação de procura "quase inexistente" por este tipo de motas para um peso de 50 por cento nos clientes que entram na loja.

"Sem dúvida nenhuma que o futuro é a mota, sobretudo num país tão solarengo".

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