Há "preocupação" mas sem consequências, garante Lino Maia

Dirigentes das IPSS receiam que "os mecenas e a sociedade possam começar a distanciar-se". Mas por ora nada indica que isso esteja de facto a acontecer

O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade, padre Lino Maia, admite, em declarações ao DN, que existe nas IPSS a "preocupação" e o "receio" de que o "caso Raríssimas" tenha "repercussões numa certa desmobilização". Ou seja: "Os mecenas e a comunidade podem começar a distanciar-se" das associações de solidariedade social.

Contudo, segundo também fez questão de sublinhar, a verdade é que não recebeu até agora qualquer indicação de manifestações concretas desse afastamento. É algo que os dirigentes das IPSS receiam que pode vir a acontecer - mas ainda não aconteceu.

Para Lino Maia, o caso da Raríssimas é "grave" mas "pontual" - ou seja, a situação geral das IPSS "é muito diferente". "No geral as instituições são boas e a comunidade é o grande suporte destas instituições".

Aliás - acrescenta - "mais do que meios financeiros o que é importante é que haja pessoas voluntárias a colaborar nas instituições, a acompanhar as pessoas idosas, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência. Isso é que é importante." E a terem de haver mudanças no Estado e na legislação essas mudanças não terão de ser na fiscalização - que "tem funcionado, às vezes parece que exageradamente" - mas sim na legislação fiscal porque "estas instituições prestam um serviço público e é como tal que devem ser tratadas".

Ontem o Presidente da República considerou uma "questão de bom senso" manter a Raríssimas em funcionamento salientando que as crianças e adultos que usufruem do trabalho daquela instituição "não têm culpa" do que se tem passado.

Em Braga, à margem de uma visita ao presépio vivo de Priscos (ver página anterior), Marcelo Rebelo de Sousa voltou a salientar que é preciso investigar "tudo e rápido" que envolve as suspeitas de desvio de fundos e administração danosa da Raríssimas, sem responder diretamente à questão se a manutenção do ministro da Segurança Social no Governo é viável.

"Primeiro investigue-se tudo rapidamente e com toda profundidade, tudo e rápido, segundo, não se esqueça aqueles milhares de pessoas que dependem e não têm culpa do que aconteceu, terceiro, respeite-se aquilo que na grande maioria dos casos é o exemplo das misericórdias e das Instituições Privadas de Solidariedade Social", respondeu o chefe de Estado.

Questionado se o Governo estava a agir corretamente e a fazer tudo para manter a Raríssimas em funcionamento, o Presidente da República mostrou concordar com a escolha do executivo. "É uma questão de bom senso, aquelas crianças e aqueles adultos não têm culpa do que se têm passado."

A Raríssimas, uma associação de apoio a vítimas de doenças raras, tem ocupado os noticiários desde que, há cerca de uma semana, a TVI revelou um problema de alegada gestão danosa pela fundadora e presidente (entretanto demissionária) Paula Brito e Costa. Está convocada uma assembleia geral para 3 de janeiro.

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