Grupos privados investem mais de 500 milhões de euros

Privados apostam cada vez mais no interior e na periferia. Estão previstos novos hospitais em Vila Real, Madeira e Açores

Entre o ano passado e até pelo menos 2020 são oito os novos hospitais ou clínicas privadas que já foram ou estão a ser construídas ou ampliadas. O investimento atual, adianta ao DN Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), será superior a 500 milhões de euros (ver entrevista ao lado). Até 2015, entre o continente e as ilhas contabilizavam-se 111 hospitais privados, cerca de metade do total das unidades existentes no país.

O investimento dos grupos privados de saúde tem-se feito quer nas grandes cidades, onde está a grande mancha de população, quer também no interior e em áreas mais periféricas. Só em 2016 dois grupos privados investiram 51 milhões de euros em três novas unidades: Viseu, Penafiel e Almada.

Entre os três foram criados mais de 300 postos de trabalho, mais de 30 camas de internamento, consultas de várias especialidades, atendimento permanente e ainda no ambulatório (cirurgias que não obrigam a internamento). As previsões de crescimento dos vários grupos privados mantêm-se pelo menos até 2020, com novos hospitais em Lisboa, Vila Real, Madeira, Açores e Aveiro que irão ultrapassar os 300 milhões de euros.

Apostas que vêm reforçar o papel da saúde privada na oferta nacional. Segundo os dados do INE, publicados a propósito do Dia Mundial da Saúde, entre 2005 e 2015 os privados aumentaram o número de camas, de consultas da especialidade, episódios de urgência. Neste último a percentagem mais que duplicou em relação a 2005 (ver infografia). Apenas nos atos complementares de diagnóstico, como exames e análises, houve uma descida de 12,8 milhões em 2014 para 11,8 milhões em 2015.

"O crescimento dos privados explica-se do lado da oferta pela disponibilidade e capacidade de investir, em mais hospitais, em mais tecnologia e em mais recursos humanos. Do lado da procura, acredito que estamos a oferecer serviços que os portugueses desejam e valorizam e neste domínio cabem desde logo o foco no doente e a acessibilidade", explica Óscar Gaspar, referindo ainda o crescimento dos seguros de saúde.

Explicações semelhantes aponta o estudo Setor Privado da Saúde em Portugal, realizado pela sociedade de consultores Augusto Mateus & Associados e publicado em junho, que destaca resposta rápida aos doentes que precisam de operação, fácil acesso a resultados de meios de diagnóstico e a cobertura de especialidades cuja oferta é mais limitada no serviço público. Perto de 40% da população está coberta por um subsistema de saúde ou seguro privado de saúde. Em 2015 havia 2,6 milhões de pessoas a beneficiar de um seguro de saúde, mais 344 mil do que no ano anterior. A perspetiva, adianta ainda o estudo, é que o peso dos privados continue a aumentar não só pelo crescimento dos seguros mas também de novas oportunidades como o turismo de saúde e bem-estar.

"É verdade que os serviços prestados a estrangeiros tem aumentado, nomeadamente com o acréscimo de turismo de que Portugal tem beneficiado. Os números que tenho apontam para um crescimento de quase 10% no último ano uma vez que, na maior parte dos casos, o peso dos estrangeiros na atividade dos hospitais privados ainda seja marginal (2-3%). Esta é uma realidade bastante distinta em termos geográficos porque no caso do Algarve, por exemplo, fruto do número de residentes estrangeiros e do volume de turismo internacional, a atividade dos hospitais privados já tem uma parcela significativa dedicada a estrangeiros. Sou também dos que acreditam que Portugal pode ter uma oferta competitiva do chamado "turismo médico", acrescenta Óscar Gaspar.

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