Governo prepara envio de viaturas para missão na República Centro-Africana

O agravar da falta de segurança na República Centro-Africana levou o Governo português a decidir enviar para a missão viaturas de "capacidade reforçada"

O Governo vai enviar viaturas de "capacidade reforçada" para o contingente português na missão da ONU na República Centro-Africana, face ao agravar da situação de segurança nas últimas semanas, revelou quinta-feira o ministro da Defesa.

"Está em estudo o envio de algumas viaturas de capacidade reforçada para a República Centro Africana (RCA) justamente porque, perante maior potencial de insegurança, podermos nós responder com aquilo que ao nosso alcance estiver para reforçar os patamares de segurança", disse o ministro da Defesa.

Azeredo Lopes, que falava aos jornalistas à margem da sessão de encerramento do Curso de Defesa Nacional, no Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, disse que as viaturas serão enviadas "o mais breve possível", estando nesta altura "em estudo qual o tipo de material que poderá ser mais útil".

Contactado pela Lusa, o porta-voz do Estado-Maior General das Forças Armadas precisou que está a ser equacionado o envio de cinco viaturas blindadas `HUMVEE´, a partir do início de junho.

No início de maio, o Estado-Maior General das Forças Armadas divulgou que militares portugueses na missão da ONU na RCA estiveram envolvidos numa troca de tiros na capital, Bangui, durante uma operação de proteção de civis.

Aquela foi a segunda vez, em pouco mais de um mês, que militares portugueses em missão na República Centro-Africana estiveram envolvidos numa troca de tiros.

No início de abril, uma patrulha de militares portugueses tinha sido atacada por um grupo armado em Bangui, sem baixas a registar, segundo informou então o EMGFA.

Questionado sobre a situação de segurança naquele teatro de operações, Azeredo Lopes sublinhou que "quando uma situação de segurança se agrava numa das missões" das Forças Nacionais Destacadas, as chefias militares e os responsáveis políticos discutem entre si para "ver o que se pode fazer para reforçar a segurança" dos militares em missão.

Segundo Azeredo Lopes, "o comando operacional tem sido exemplar, quer a enfrentar situações imprevistas, que podem acontecer, quer a responder" a necessidades concretas.

Preocupa-me todos os dias o que se passa no Afeganistão, todos os dias o que se passa na RCA e no que se passa na Lituânia. Quando uma situação de segurança se agrava numa dessas missões, é o cidadão que se preocupa e o ministro também.

Portugal é um dos países que integra a MINUSCA. No início de março, a 3.ª Força Nacional Destacada (FND) partiu para a República Centro-Africana: um contingente composto por 138 militares, dos quais três da Força Aérea e 135 do Exército, a maioria oriunda do 1.º batalhão de Infantaria Paraquedista.

A República Centro-Africana é um país atormentado por um conflito desde 2013.

As autoridades centro-africanas apenas controlam uma pequena parte do território nacional. Num dos países mais pobres do mundo, vários grupos armados disputam províncias pelo controlo de diamantes, ouro e gado.

No passado dia 03, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou à calma na República Centro-Africana, exortando as autoridades de Bangui a investigarem os mais recentes incidentes violentos registados naquele país.

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