Governo português quer encontro em privado com Luaty

O ministro Rui Machete e o embaixador em Luanda, João Câmara, intensificaram contactos para seguir "ainda mais de perto" situação do luso-angolano detido e em greve de fome

O governo português tem acompanhado a situação de Luaty Beirão "de perto e desde a primeira hora, particularmente tendo em conta os seus contornos humanitários". Ao DN, o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que a diplomacia está a funcionar e sublinha que há contactos no sentido de conseguir uma visita a sós ao luso-angolano detido em Angola e que cumpre hoje o 29.º dia de greve de fome. "A Embaixada de Portugal em Luanda está em contacto com familiares" de Luaty e "em consultas com as autoridades para visitar o detido a nível bilateral", confirmou ao DN fonte oficial da tutela.

Luaty Beirão, de 33 anos, foi detido há mais de três meses em Luanda, com outros 14 jovens angolanos, estando o grupo acusado, desde 16 de setembro, de "atos preparatórios para rebelião e atentado contra o presidente, José Eduardo dos Santos" - crime para o qual a lei angolana prevê até três meses de prisão preventiva, a que podem ser acrescidos mais 125 dias "justificados por despacho fundamentado".

O governo português tem acompanhado de perto e desde a primeira hora, particularmente tendo em conta os seus contornos humanitários

Há quase um mês, o rapper decidiu entrar em greve de fome como forma de protesto contra a prisão preventiva, tendo-se o seu estado de saúde degradado significativamente até ser transferido da prisão para o hospital, onde aceitou receber soro intravenoso. Desde então, o cantor já perdeu 20 quilos.

O caso despertou especial atenção em Portugal, mesmo porque Luaty tem dupla nacionalidade, tendo já motivado movimentos de apoio como a manifestação e a vigília que tiveram lugar nesta semana em Lisboa, pedindo a libertação do cantor.

"Mesmo antes de esta situação ter assumido contornos mediáticos, já as autoridades portuguesas estavam em contacto com as autoridades angolanas e com familiares dos detidos, que foram recebidos pela Embaixada de Portugal em Luanda", disse ao DN fonte oficial dos Negócios Estrangeiros. Um outro ativista do mesmo grupo, Nelson Dibango, entrou também em greve de fome a 9 de outubro.

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