Filhos de refugiados começam a nascer em Portugal

Família Kattan saiu da síria e chegou em outubro com três filhos. Vai ter o quarto agora, é uma "felicidade", mas não quis saber o sexo

Nasce em agosto e será cidadão português o bebé da família Kattan, da Síria, acolhida em outubro no Centro de Refugiados de Penela. Os pais, Aya e Mahmoud, preferem não saber (para já) o sexo da criança, mas na comunidade toda a gente está a torcer para que seja uma menina, juntando-se assim aos três irmãos (de 2, 3 e 4 anos), que por estes dias brincam na creche da Santa Casa da Misericórdia local.

"Vai ser uma felicidade para todos fechar este projeto com um nascimento", disse ontem ao DN Natalya Beck, diretora do centro, enquanto participava numa festa alusiva ao Dia Mundial do Refugiado, em Miranda do Corvo, na sede da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, que tutela o acolhimento a esse grupo de refugiados da Síria e do Sudão, instalados em Penela, bem como de outros que entretanto chegaram a Portugal. Na próxima quarta-feira o centro recebe novo grupo, de dez pessoas, vindos de um campo da Grécia. São todos sírios, inspirando um deles cuidados especiais: ficou paraplégico, na sequência de um rebentamento de uma bomba. "Ficará a ser tratado na unidade de cuidados continuados da fundação, este senhor de 41 anos, que vem acompanhado do filho, de 20 anos", confirmou aquela responsável do Centro de Instalação de Refugiados Paz/Peace. Faltam apenas dois meses para terminar este projeto, com a duração de dez.

Apesar de "um balanço muito positivo" no que respeita à integração na comunidade, nomeadamente no meio escolar, nenhum dos adultos está ainda a trabalhar. Começam a dominar a língua portuguesa, alcançam equivalências escolares, e um deles, Samir, celebra já uma conquista: viu reconhecida a licenciatura em Bioquímica e está agora a fazer mestrado. Natalya acredita que já não falta muito para que possa conseguir trabalho. Findo este período de duração do projeto, as famílias estarão por sua conta e risco.

Em diversos concelhos do litoral português moram dezenas de refugiados, ao abrigo de programas estabelecidos por paróquias, municípios e Misericórdias. É o caso de Alfeizerão, no concelho de Alcobaça, em que a Santa Casa local se inscreveu desde cedo para ajudar a integrar cidadãos refugiados. Em dezembro, poucos dias antes do Natal, chegaram à vila três iraquianos. Mais tarde, em março e maio deste ano, haveriam de juntar-se a eles mais cinco rapazes, três vindos da Síria e dois da Eritreia. Os oito são homens, com idades entre os 21 e os 58 anos, e vieram sem família. Moram todos numa vivenda recuperada pela instituição que os acolheu, embora nos primeiros tempos tivessem permanecido no Centro de Emergência Social.

Cátia Camacho, educadora social ao serviço, considera que a integração "tem corrido muito bem", tal como afirmou ao DN. Não prevê receber mais cidadãos além destes, por considerar tratar-se do limite a que a Santa Casa local pode dar resposta. "O projeto tem a duração de 18 meses e temos progredido por fases. No primeiro mês fornecíamos as refeições, depois passámos a atribuir-lhes uma verba para que eles próprios pudessem organizar-se, nas compras e na cozinha", conta, certa de que as aulas de português estão a ter muito bons resultados neste grupo. Um dos iraquianos que chegou em dezembro "já domina bem a língua". E isso foi meio caminho andado para conseguir o seu primeiro contrato de trabalho no nosso país. "No Iraque ele tinha um café. Agora trabalha numa pastelaria." Com sorte, já aprendeu a fazer uma das especialidades da casa e do país: o pão-de-ló de Alfeizerão. Não muito longe, na Nazaré, mora uma família de refugiados sírios, desde março. Chegaram a Portugal ao mesmo tempo que dezenas de outros, entretanto distribuídos por Santarém, Lisboa, Faro, Olhão, Nisa, Beja, Torres Novas, Guimarães, Sintra, Braga, Évora, Espinho, Porto e Setúbal.

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