Filas no aeroporto: reforço de inspetores do SEF só no final de 2019

O ministro da Economia disse que o SEF iria receber "este ano" um reforço de cem novos inspetores, mas o concurso está agora a começar e só ficará concluído daqui a ano e meio

Os cem novos inspetores que o ministro da Economia anunciou para reforçar o SEF este ano estão agora na fase inicial do concurso externo de recrutamento e a conclusão do seu curso só deverá terminar no final de 2019. Em reação à manchete do DN sobre o novo agravamento das filas de espera no controlo de passaportes, à chegada ao aeroporto de Lisboa, Manuel Caldeira Cabral disse à TSF que em 2017 tinham entrado cem novos inspetores na polícia que controla as fronteiras e que este ano iria entrar outra centena. Nenhum dos números está correto.

Em agosto do ano passado, a então ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa anunciou a abertura de um concurso para contratar 120 novos inspetores, em resposta a uma ameaça de greve do Sindicato da Carreira da Investigação e Fiscalização (SCIF) do SEF a exigir a admissão de mais profissionais, principalmente para enfrentar a caótica situação no Aeroporto Humberto Delgado, que já nesse verão tinha dado sinais de alarme.

No ano passado assumiram funções 90 e não cem novos inspetores, 45 de cada vez, num processo concursal interno, segundo explicou ao DN fonte do SCIF. Neste momento estão a prestar provas outros 45 estagiários que entram ao serviço este ano. Não cem.

O concurso para os 120 está a decorrer, depois de alguns atrasos - já foi lançado em dezembro - devido a alterações na equipa do júri. Os primeiros candidatos começaram a ser entrevistados mas, de acordo ainda com o sindicato dos inspetores, "na melhor das hipóteses este concurso só ficará concluído no final de 2019".

Confrontado com estas contradições, o gabinete do ministro Manuel Caldeira Cabral remeteu os esclarecimentos para o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que é quem tutela o SEF. Este não enviou resposta em tempo útil.

O SCIF defende que a contratação de novos inspetores não vai chegar para resolver o problema. O presidente Acácio Pereira aponta também "problemas estruturais, da responsabilidade da empresa gestora ANA que devem ser resolvidos" para que os turistas não tenham de esperar tanto tempo para entrar no país.

Conforme o DN noticiou, há um ano, quando o problema começou a evidenciar-se, o SEF e a ANA falham em encontrar uma solução para esta situação. Os operadores turísticos e as companhias aéreas estão alarmados e muito preocupados com a resposta ao previsto aumento de fluxo no verão.

A monitorização do aeroporto feita aos tempos de espera no controlo dos passaportes revelou um agravamento em fevereiro e março deste ano. Em 17 dias do mês de março e 14 em fevereiro houve demoras de mais de 60 minutos no controlo de passaportes. Em quatro desses dias, os picos de espera atingiram mais de duas horas. O SEF respondeu que os "tempos médios" melhoraram e a ANA não quis comentar.

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