Famílias numerosas querem reutilizar manuais escolares

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) defendeu hoje a reutilização de livros escolares para diminuir o desperdício e os encargos que todos os anos enfrentam no início do ano letivo.

"É um assalto às famílias", considerou Fernando Castro, presidente da APFN - com 10 mil associados no país - em declarações à agência Lusa sobre as despesas anuais com os livros escolares.

"Falo de todo o material impresso: livros e fichas, que são feitos para serem destruídos, desde escrever nas páginas e até arrancá-las, não podendo ser reutilizados nem por irmãos, amigos ou outras pessoas que deles precisem", criticou o responsável.

Fernando Castro apontou ainda que Portugal "é dos poucos países que não reutilizam manuais escolares, ao contrário do que acontece nos EUA, na Alemanha e na Inglaterra".

Observou que este "é um problema, não apenas das famílias com filhos, mas de todos os contribuintes, já que a Ação Social Escolar oferece os manuais às famílias carenciadas, e estes são depois inutilizados".

Recordou que esta é "uma velha reivindicação" da associação: "Já que o Ministério da Educação nunca compreendeu isto, apelamos ao ministro das Finanças [Vítor Gaspar] que dê ordem para que os livros sejam reutilizados".

Fernando Castro considerou ainda que os Bancos de Livros Escolares - organizados pelas autarquias - "são uma fantasia", e defendeu que sejam as famílias a fazer essa transmissão entre si, de acordo com as próprias necessidades.

Além dos livros escolares, a outra grande preocupação das famílias numerosas - no início do ano letivo - é o aumento dos transportes.

"Acabaram com os passes escolares, e as crianças têm de pagar os passes a cem por cento", apontou o responsável, considerando esta medida "uma incoerência".

Por estes motivos, o presidente da APFN considera que o início deste ano letivo "vai ser ainda mais difícil" para as famílias, do que o anterior.

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