Família portuguesa deportada já está nos Açores

A família de dez portugueses deportada pelas autoridades canadianas chegou hoje às 07:45 (08:45 em Lisboa) a Ponta Delgada, nos Açores, pedindo que seja preservada a imagem das crianças.

De acordo com um assessor do presidente do governo regional dos Açores, presente no aeroporto açoriano, os 10 familiares terão sido os últimos a saírem do avião.

A família pediu ao governo regional para que fosse salvaguardada a imagem das crianças.

A família Sebastião é constituída por Paulo e Maria Irene de 46 e 44 anos respectivamente, os quatro filhos (Marília, 27, Vanessa, 23, Paulo Júnior, 19, e Beatriz, 13) e quatro netos, todos abaixo dos cinco anos e que já nasceram no Canadá.

No aeroporto, entre os que aguardavam a família estavam os país de Maria Irene.

Ordem de Deportação

A família Sebastião foi alvo de deportação do Canadá na noite de ontem, quinta-feira, rumo aos Açores, não conseguindo evitar o repatriamento, apesar de várias diligências de última hora.

Foi uma noite de nervosismo e de ansiedade até que o voo da SATA descolou para Ponta Delgada, levando a bordo os dez membros da família Sebastião, mais o marido da filha mais velha, Marília.

Apesar do anúncio de partida do Airbus da SATA às 21:50 hora local de quinta-feira (02:50 de hoje em Lisboa), a aeronave da SATA permaneceu imobilizada mais tempo na placa para que o pessoal de terra proceder ao descongelamento da neve acumulada no avião.

O voo SATA International tem destino ao Porto, via Ponta Delgada, aonde chegará 7h20 de hoje, sexta-feira.

Em rigor, do total de dez elementos da família originária dos Açores apenas seis - os pais (Paulo e Maria Irene, de 46 e 44 anos respetivamente) e quatro filhos (Marília, 27, Vanessa, 23, Paulo Júnior, 19, e Beatriz, 13) são deportados.

Os restantes quatro, os netos, todos com menos de cinco anos são cidadãos canadianos por terem nascido país, mas acompanham os país, segundo determinaram os Serviços de Imigração, embora possam voltar a todo o momento ao Canadá.

Até ao derradeiro minuto, mesmo quando já tinham embarcado, todos aguardavam uma decisão de Otava que permitisse à família descer do avião, o que não aconteceu.

Horas antes da partida, o advogado Tony Dutra recebeu uma resposta do gabinete do Primeiro-Ministro do Canadá relativamente ao pedido urgente em que solicitava a suspensão da ordem de deportação a fim da situação da família poder ser reavaliada.

"Apesar de o Primeiro Ministro compreender as circunstâncias que o motivam a escrever, há restrições ao envolvimento de membros do Governo - incluindo o Primeiro Ministro - em casos como o que acaba de descrever", justificou a Tony Dutra um responsável do gabinete de Stpehen Harper, num "email" a que a Lusa teve acesso.

"Estas limitações existem com vista a assegurar a todos os candidatos que a decisão num processo de imigração e refúgio é independente e livre e interferência política", acrescentou, adiantando ter enviado o correio electrónico para o ministro da Imigração.

Por seu turno, uma adjunta do ministro federal da Segurança Pública, Vic Toews, em Otava, solicitou a Tony Dutra dados sobre a decisão de deportação referente à família, pedindo-lhe ainda que efectuasse novo pedido de suspensão daquela ordem, o que fez. Mas não teve mais contactos.

Também, na quinta-feira, em Otava, uma responsável do ministério da Cidadania Imigração do Canadá - pasta que tutela o processo de imigração -, confirmou à Lusa a recepção da carta enviada pelo Governo português, em que solicitava um "ato de clemência" para a família portuguesa.

"Essa missiva do Governo português [dirigida ao ministro Kenney] foi recebida ontem e uma resposta será enviada no curto prazo" declarou à Lusa, Nancy Caron, do gabinete do titular da pasta da Imigração.

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, revelou quarta-feira à Lusa ter enviado duas cartas na segunda-feira, aos ministros da Cidadania e Imigração e da Segurança Pública (administração interna) do Canadá, nas quais o Executivo português pedia um "ato de clemência" para a família.

O Governo Regional dos Açores intercedeu igualmente junto do Executivo de Harper a favor da família Sebastião e já lhe garantiu acolhimento, disponibilizando casas arrendadas e apoio social para a integração da família.

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