Exames médicos para renovação da carta sem fiabilidade

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa considera que os exames médicos feitos aos condutores para renovar a carta de condução não têm fiabilidade.

"Formalmente, cumprimos os preceitos exigidos. Mas qual é a fiabilidade desses exames? Nenhuma", afirmou José Manuel Trigoso em declarações à agência Lusa.

Apesar de já ter tido conhecimento da realização de testes a condutores por empresas de ótica, o especialista em segurança rodoviária diz não existirem dados que caracterizem a realidade nesta matéria. Admite, contudo, que a percentagem de condutores com problemas de visão "é muito grande".

Embora a audição seja outro dos sentidos fundamentais para quem conduz, José Manuel Trigoso diz que a visão é o mais importante, pois 80 por cento da informação necessária para circular chega aos automobilistas através da vista.

A questão sobre a fiabilidade dos atestados coloca-se - sustenta o homem que trabalha na PRP há quase 40 anos - porque são passados por médicos de clínica geral e não por oftalmologistas ou otorrinolaringologistas.

"É um passo administrativo", considera, sintetizando: "O objetivo é conseguir o papel", que, ainda por cima, é passado em "concorrência", o que "dá mau resultado", pois o critério para decidir acaba por ser "onde é mais rápido".

Invocando os "vários anos" em que presidiu à Prevenção Rodoviária Internacional, que reúne meia centena de países, José Manuel Trigoso afirma que a situação é bem diferente nas nações mais avançadas na prevenção de acidentes rodoviários.

Em países como a Holanda, o Reino Unido ou a Suécia, "quando é obrigatório obter um atestado, a sociedade organiza-se de modo a que o que ele atesta seja verdade", exemplifica.

"Cá, pactuamos com uma falta de rigor muito grande", "há a cultura de facilitar o exame", numa lógica de "dá cá o papel que eu preciso", acusa o responsável.

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