Espião do SIS fica em prisão preventiva

Frederico Carvalhão Gil foi detido em Itália e extraditado para Portugal

O funcionário do SIS detido a 21 de maio em Roma por alegada espionagem e outros crimes ficou hoje em prisão preventiva por decisão do juiz de instrução criminal Ivo Rosa.

Apesar de Frederico Carvalhão Gil ficar em prisão preventiva, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) admitiu que poderá existir a possibilidade de esta medida vir a ser alterada para obrigação de permanência na residência com vigilância eletrónica, desde que estejam preenchidos os requisitos exigidos.

Após interrogatório judicial, o magistrado considerou que o arguido está "fortemente indiciado" dos crimes de violação de segredo de Estado, espionagem e corrupção.

O funcionário do tribunal que comunicou a medida de coação aos jornalistas referiu ainda que, após o interrogatório, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do funcionário do Serviço de Informações e Segurança (SIS) por considerar existir o perigo de fuga, continuação da atividade criminosa e possibilidade perturbação da investigação.

Na terça-feira, o advogado de defesa de Carvalhão Gil, José Preto, adiantou à Lusa que iria refutar as imputações do Ministério Público, alegando também que houve "um conjunto de irregularidades" relacionadas com a detenção de Frederico Carvalhão Gil em Roma.

José Preto desafiou ainda os investigadores a provarem o flagrante delito e a apresentarem as provas da venda de segredos da NATO porque, diz, o seu cliente "não vendeu informações".

Frederico Carvalhão Gil aterrou em Lisboa no domingo à noite, depois de a justiça italiana - designadamente o `Corte d'Appello di Roma" - ter autorizado a extradição do agente do SIS para Portugal em cumprimento de um mandado de detenção europeu.

Foi detido em flagrante delito, em Roma, a vender informações da NATO (Organização do Tratado Atlântico Norte) a um espião russo detentor de passaporte diplomático no âmbito da operação "Top Secret", que terminou a 22 de maio, segundo a PJ.

A investigação envolveu o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e a Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT) da PJ, que deslocou investigadores a Itália, com a colaboração da Policia de Stato, de Itália - Divisione Investigazioni Generali e Operazioni Special (DIGOS), da Interpol Roma e da Eurojust.

Na sequência das detenções em Roma do agente do SIS e do espião russo foram também realizadas buscas domiciliárias em Portugal.

O agente dos serviços secretos russos também foi detido pelas autoridades italianas.

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