Escuta que deu origem ao caso Taguspark é "especulação"

O arguido Rui Pedro Soares disse hoje no tribunal de Oeiras que a escuta telefónica que deu origem ao caso Taguspark se trata de "especulação" de Paulo Penedos e que todo o processo é uma "coincidência".

Rui Pedro Soares, ex-administrador não executivo do pólo tecnológico de Oeiras, Américo Tomatti, à data dos factos presidente da comissão executiva do Taguspark, e João Carlos Silva, antigo administrador do pólo, estão acusados de corrupção passiva para ato ilícito e começaram hoje a ser julgados.

Em causa estão alegadas contrapartidas que a Taguspark terá dado, por intermédio do ex-administrador Rui Pedro Soares, ao ex-futebolista Luís Figo para este apoiar a campanha de José Sócrates a primeiro-ministro nas legislativas de setembro de 2009.

A primeira sessão começou com a audição de Rui Pedro Soares, que afirmou ao coletivo de juízes que a escuta telefónica entre Paulo Penedos e Marcos Perestrello - que está na origem do processo - se tratou de especulação do advogado, arguido do processo Face Oculta.

Na conversa, Penedos diz a Perestrello que Rui Pedro Soares "conhece toda a gente" e que "os gajos em que ele tropeça do mundo da bola estão a apoiar o PS e Sócrates" e que "depois todos têm por trás contratos".

Segundo Rui Pedro Soares, todo este caso judicial é uma coincidência e Paulo Penedos apenas acertou num nome das figuras ligadas ao futebol que tinham contratos com a PT e deu como exemplo o caso de Sá Pinto, que celebrou contrato com a empresa, mas que, após a formalização do acordo, até apoiou a candidatura de Santa Lopes (PSD) à presidência da câmara de Lisboa.

"Paulo Penedos apenas acertou num nome em quinze. Nenhum, que não Luís Figo, apoiou José Sócrates", disse.

O ex-administrador não executivo do Taguspark disse ainda que à época dos factos o polo tecnológico negociou também um contrato de cedência de imagem com José Mourinho, semelhante ao que celebrou com Luís Figo.

"A negociação com José Mourinho foi muito mais rápida e mais fácil. As obrigações de Figo no contrato são maiores até que as de mourinho", afirmou.

De acordo com a acusação, o Ministério Público considera que Rui Pedro Soares "pôs em execução uma estratégia para obter o apoio à candidatura do PS" através do contrato de cedência de direitos de imagem do ex-futebolista ao Taguspark, no valor de 750 mil euros.

"A formalização destes negócios era, nos termos genericamente acordados entre Rui Pedro Soares e Luís Figo (...) determinante da concretização do apoio deste ultimo à referida campanha político-partidária", refere a acusação.

Segundo o MP, após a formalização do acordo, Luís Figo concedeu uma entrevista ao Diário Económico, no qual fez uma avaliação "muito positiva" do trabalho do governo socialista e afirmou que era "preciso garantir a estabilidade e continuidade das decisões que foram tomadas, para que a entrada de um novo governo não signifique que se começa tudo outra vez de início".

" saída da sessão da manhã, Rui Pedro Soares disse aos jornalistas estar satisfeito por o caso ter chegado "finalmente" a julgamento para poder mostrar a sua inocência.

O processo Taguspark foi investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa na sequência de uma certidão extraída do processo Face Oculta, também relacionado com crimes económicos.

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