Escravos "roubam" lugar a varinas e pescadores

(COM VÍDEO) José Oliveira, marchante há mais de três décadas, ficou "chocado" quando soube que a Madragoa, bairro que representa há quatro anos, vai em 2014 fugir à tradição de mostrar a vivência da varina e do pescador e apresentar um tema diferente. "Vamos arriscar" reconhece o ensaiador Miguel Ribeiro, a quem coube a tarefa de coreografar a chegada, no século XVI, dos escravos à zona.

"Tem de se inovar", defende o responsável, que, apesar de não se escusar a revelar detalhes, acredita que curiosos, interessados e rivais vão ser surpreendidos. A mudança vai notar-se logo nos temas próprios.

"Há partes faladas em crioulo", adianta, confirmando aquilo que quem, durante a noite, passa pelo quartel dos Sapadores na Avenida D. Carlos I adivinha facilmente. Afinal, "mocambo" - nome atribuído às construções artesanais onde os escravos viviam - é uma das palavras que mais vezes se ouvem durante os ensaios realizados com as roupas do dia-a-dia e ainda sem arcos e adereços.

"Metade dos marchantes vão estar vestidos de fidalgos e a outra metade de escravos", revela Miguel Ribeiro, acrescentando que os arcos, em forma de espingarda, vão evocar o tema comum a todos os conjuntos participantes - os 400 anos da publicação de Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto.

As alterações são um desafio para o responsável pela marcha organizada pelo Esperança Atlético Clube e que este ano se estreia no cargo. "Nunca imaginei [que fosse tão complicado]", admite João Santos, que assumiu ainda a missão de envolver toda a nova freguesia da Estrela: "Fizemos castings, espalhámos cartazes." Tudo para que a Madragoa se classifique entre os cinco melhores. Em 2013, ficou em 6.º.

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