Empresa de Vila Pouca de Aguiar queixa-se de aumento de 20% nos custos

A empresa Granitos Ribeiro, em Vila Pouca de Aguiar, viu disparar as despesas com a introdução de portagens na Autoestrada 24 (A24) há um ano, as quais representam um custo de 1.500 a 2.000 euros por mês.

O granito é também um setor que está em crise. "s quebras na construção em Portugal e em Espanha e ao aumento do preço dos combustíveis juntou-se no final do ano passado mais uma dificuldade: a introdução de portagens nas antigas SCUT (Sem Custo para os Utilizadores). A A24, que liga Viseu a Chaves, passou a ser paga a 08 de dezembro de 2011.

Domingos Ribeiro, da Granitos Ribeiro, disse à agência Lusa que a sua empresa sentiu uma subida de "cerca de 20 por cento nos gastos", precisamente por causa das portagens.

Localizada em Vila Pouca de Aguiar, concelho atravessado pela A24, a empresa de extração e transformação de granitos para comércio e exportação paga entre 1.500 a 2.000 euros por mês por passar nesta autoestrada quer seguindo para o litoral ou centro do país ou para Espanha.

Praticamente todos os dias a Granitos Ribeiro tem camiões na estrada a fazerem o transporte de mercadorias.

"Não tivemos uma subida maior nos gastos porque muitas das viaturas vão pela estrada nacional", salientou.

A Estrada Nacional 2 (EN2), que atravessa várias localidades, tornou-se na alternativa para quem quer fugir à autoestrada portajada.

"A EN2 está muito congestionada com viaturas pesadas. É mau para as aldeias e para o transporte em si, pois acaba por haver mais demora e é um risco maior o pesado a passar carregado pelas aldeias", sublinhou.

Para o empresário, a implementação de portagens "só veio prejudicar a região".

"Podiam ter aplicado um valor mais baixo, são mais caras as SCUT que as autoestradas, o que não faz qualquer sentido", salientou.

Só que, de acordo com o responsável, para além do aumento das despesas, as portagens revelaram-se também como um entrave à realização de alguns negócios, já que encareceram o produto, fazendo com que alguns compradores procurem locais mais próximos.

É que, apesar de maior parte das situações ser a empresa a escoar o granito, em alguns casos são os clientes que se responsabilizavam pelo transporte.

"As portagens também dificultaram a comercialização do produto e a vinda do próprio colaborar que vem fazer a compra ou a prospeção. Há uma diminuição da procura do material", frisou.

Como exemplo, Domingos Ribeiro referiu que os clientes provenientes de Vigo, Espanha, não pagam nas suas estradas e depois queixam-se de terem que pagar pelos cerca de 40 a 50 quilómetros que fazem em território nacional, desde a fronteira de Chaves até Vila Pouca de Aguiar.

A empresa produz cerca de 500 metros cúbicos de granito por mês. As quebras nas vendas rondam os 25 por cento, muito por causa das empresas de construções e de transformação, espanholas e portuguesas, que estão a fechar.

Por causa dos preços dos combustíveis, o setor do granito reivindica ainda há alguns anos a utilização de gasóleo industrial nas pedreiras, à semelhança do que acontece em Espanha.

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