Embaixador de Portugal em Moscovo chamado a Lisboa

Ministro dos Negócios Estrangeiros confirmou que embaixador foi chamado para consultas

Portugal chamou o embaixador português na Rússia a Lisboa para "consultas". O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, confirmou em entrevista à RTP que a decisão foi a de chamar o embaixador para consulta. Portugal decidiu não expulsar nenhum diplomata russo, mas o ministro admite que a posição portuguesa pode mudar "como a de todos" os restantes países.

Augusto Santos Silva defendeu a posição de Portugal de manter os diplomatas russos no país, depois de 27 países terem mostrado solidariedade com o Reino Unido e anunciado expulsão de diplomatas considerados espiões. Portugal "usa da prudência" no plano bilateral de forma a "defender os interesses nacionais", justificou o governante na entrevista.

Santos Silva afirmou que Portugal apoiou quer a decisão da União Europeia, de chamar o seu embaixador para consultas, quer a decisão do secretário-geral da NATO, de expulsar sete diplomatas. "Nenhum de nós espera que haja uma escalada irrazoável", afirmou o ministro, apesar de considerar que este caso "tem que ter uma resposta à altura por parte dos europeus".

Portugal está "inteiramente solidário" com a União Europeia e a NATO e "respeita todas as formas de reação", frisou. Questionado sobre qual será o critério a escolher se Portugal avançar para a expulsão de diplomatas russos, Santos Silva escusou-se a responder, alegando que o processo está em Segredo de Estado.

Adiantou, contudo, que o critério seguido pelos parceiros europeus tem sido o de expulsar "pessoas que estão mais do lado da inteligência do que do lado da diplomacia", afirmando que tem dados dos serviços de informações portugueses que não pode revelar. O ministro dos Negócio Estrangeiros recordou ainda que Portugal integra o grupo europeu que impôs sanções económicas à Rússia depois da invasão da Crimeia.

A expulsão de diplomatas russos segue-se depois do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, em solo britânico a 4 de março, com recurso a um gás neurotóxico, que os serviços secretos britânicos determinaram ser fabricado na Rússia. Ontem, foram anunciadas expulsões de 25 países (mais o Reino Unido que foi o primeiro a avançar com esta medida, a 14 de março), entre os quais EUA e Canadá. Esta terça-feira, a NATO juntou-se com o anúncio da expulsão de sete diplomatas.

Em 14 de março, o Reino Unido anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e o congelamento das relações bilaterais com a Rússia, em resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal com um gás neurotóxico no dia 04 de março na cidade inglesa de Salisbury.

Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a atividade do British Council na Rússia.

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