Dos alertas para surdos às rádios, o projeto que "promove a cidadania"

Escolas. Orçamento participativo regressa amanhã. Em 2017, as rádios foram a ideia mais popular e houve ainda projetos inclusivos e ecológicos

Rádios escolares ou alertas para surdos estão entre as ideias já concretizadas pelo Orçamento Participativo das Escolas (OPEscolas), cuja segunda edição será lançada amanhã. Ao DN, o ministro diz que a iniciativa, mais do que uma forma extra de financiamento, é semente de "uma verdadeira cidadania ativa" das novas gerações.

Para Tiago Brandão Rodrigues, esta iniciativa, que atribui a cada projeto vencedor um euro por aluno do 3.º ciclo e secundário, no valor mínimo de 500 euros, contribui para que os estudantes "compreendam como funcionam as instituições democráticas, os métodos de votação, como se elabora um orçamento, que se saibam como se podem envolver nos debates e discussões no espaço público".

No ano passado, o OPEscolas deu origem a inúmeros projetos vencedores, propostos e escolhidos pelos alunos. Entre as propostas mais populares, segundo o Ministério da Educação, destacaram-se as rádios escolares e a criação ou apetrechamento das salas de convívio e dos recreios com equipamentos que vão dos pufes às mesas de matraquilhos. Mas houve várias outras propostas inovadoras, incluindo várias com preocupações ambientais ou inclusivas.

Um "toque" luminoso para surdos

Da lista de propostas apresentadas e aprovadas pelos estudantes no ano passado consta, por exemplo, um sistema de sinais luminosos que complementam os habituais toques de entrada e saída nas aulas. Uma iniciativa de estudantes da Secundária João Araújo Correia, no Peso da Régua, onde o ministro esteve recentemente, concebida a pensar nos 20 alunos surdos que ali estudam. A montagem ficou a cargo das turmas do ensino profissional da escola.

Um sistema de poupança de água, um projeto editorial para publicar trabalhos dos alunos ou um programa para impulsionar o uso de bicicletas por parte da comunidade educativa são outros exemplos de projetos concebidos e aprovados pelos alunos do 3.º ciclo e do secundário das escolas públicas portuguesas.

Nem todos os projetos foram concretizados com as verbas atribuídas no ano passado. Nomeadamente no que respeita às zonas de lazer dos estudantes. Mas os alunos têm a opção de apresentarem novas propostas que os ajudem a complementar os projetos do ano passado.

Tiago Brandão Rodrigues sublinhou o caráter único desta iniciativa e elogiou a adesão, não só dos alunos, como dos restantes membros das comunidades educativas: "Foi a primeira vez que um governo lançou, a nível nacional, uma iniciativa desta natureza, tendo contado com o empenho de muitos diretores e professores, que consideram o OPEscolas um instrumento que enriquece a participação dos estudantes na vida das suas comunidades educativas", contou.

Na edição deste ano, a participação dos alunos começou logo pelos cartazes, logótipo e vídeo alusivos à iniciativa, que ajudaram a desenhar: "Sendo esta uma iniciativa dos alunos e para os alunos, quisemos este ano também envolvê-los na elaboração dos vários materiais da própria campanha de divulgação", explicou o ministro. "São estudantes de cursos profissionais que, com entusiasmo e criatividade, criaram materiais de notória qualidade", acrescentou.

No ano passado, de acordo com o Ministério, o projeto abrangeu mais de meio milhão de alunos, que apresentaram perto de cinco mil propostas, tendo envolvido 95% das escolas.

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