Domingues responsabiliza Governo pela sua demissão da Caixa

CEO percebeu "no final de outubro" que já não tinha condições para ficar na CGD. E mudança de circunstâncias veio do Governo

Como explicou ao fim da manhã aos deputados da comissão de Orçamento e Finanças, o agora (desde 31 de dezembro) ex-presidente da CGD percebeu, no final de outubro, que "o Governo deixara de ter condições" para manter em vigor uma das condições que exigiria: a de ser isentado de apresentar declarações de património junto do Tribunal Constitucional (TC).

"O Governo deixou de ter condições políticas para suportar os compromissos", sintetizou. Ou, dito de outra forma: "Tornou-se absolutamente claro que as circunstâncias se tinham alterado. E tanto assim - acrescentou - que semanas antes de se demitir (27 de novembro) sugeriu ao Governo que fizesse avançar um "plano B".

Ao dizer que foi "no final de outubro" que percebeu que o Governo deixara de "ter condições" para cumprir o que tinha com ele acordado, António Domingues acaba por isentar de responsabilidades na decisão de se demitir a aprovação pelo Parlamento em 24 de novembro de um projeto do PSD (que passou com os votos do CDS e do BE) que tornou absolutamente inequívoca a obrigação dos gestores da CGD em apresentar declarações de património no TC (o que, voltou a dizer, as tornaria publicáveis pelos "tabloides").

O deputado do PS Paulo Trigo Pereira perguntou-lhe especificamente se foi essa "a gota de água" mas Domingues recusou explicitamente fazer-lhe o favor de dizer que sim: "Não consigo situar-me nesses termos."

Segundo salientou, o problema residia acima de tudo no facto de só ter feito os convites à equipa que o acompanhou na administração do banco na condição de esses gestores também não serem obrigados a apresentar declarações de rendimentos e património no TC, condição que percebeu que não iria poder ser mantida.

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