Director clínico de Braga violou boa prática médica

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) concluiu que o director clínico do Hospital de Braga - que em Novembro passado anestesiou vários doentes à mesma hora e em salas diferentes, substituindo colegas que se recusavam a fazer horas extraordinárias - desrespeitou a boa prática médica e colocou desnecessariamente em risco os pacientes.

A conclusão, a que o PÚBLICO teve acesso, contraria o resultado do processo de averiguações interno feito pelo do hospital, que ilibou Mário Carvalho, anestesiologista há mais de 30 anos.

Para fundamentar o processo, a IGAS pediu um parecer técnico a um especialista, para quem houve de facto neste caso sobreposição da actividade anestésica em diversas ocasiões durante 14 de novembro de 2011 (dia em que Mário Carvalho anestesiou 17 doentes). Recordando que a boa prática assistencial exige que um anestesista assuma a responsabilidade apenas por um doente em cada momento, o perito considera, assim, que o director clínico desrespeitou a boa prática médica.

A IGAS só não lhe aplicou uma sanção disciplinar porque não pôde (ele é aposentado da função pública) mas recomendou à Comissão Executiva do Hospital de Braga que pondere a cessação da sua actividade clínica e enviou o processo para a Ordem dos Médicos (OM) - que tem competência para actuar disciplinarmente neste caso. Remeteu também o caso para a Administração Regional de Saúde do Norte, uma vez que o Hospital de Braga é gerido em parceria público-privada (PPP) pelo grupo José de Mello Saúde.

A conclusão da IGAS aponta no sentido inverso ao resultado do processo de averiguações interno instaurado pelo Hospital de Braga, o qual concluiu pela "inexistência de matéria de facto" para acusar o director clínico. Os responsáveis da unidade de saúde defenderam, desde o início, que foram sempre respeitadas "as boas práticas anestésicas" e não houve sobreposição de actividade.

O caso foi denunciado, sob anonimato, por um auto-intitulado grupo de anestesistas do próprio hospital, que anexava documentos que provavam que o director clínico esteve a actuar em várias salas operatórias em simultâneo, uma prática que é proibida pela OM. Segundo o regulamento da Ordem aprovado em 2007, não é aceitável o acompanhamento, por um anestesiologista, de mais do que um doente em simultâneo. A OM apenas aceita uma excepção: quando se trata de um caso de emergência (com risco de vida).

Mais Notícias

Outras Notícias GMG