Diferenciar regras motiva estes alunos

Saltar anos e atribuir tarefas extra, de maior dificuldade, são soluções para tornar a escola inclusiva para sobredotados.

Um sistema educativo que responda às necessidades dos sobredotados é o que pedem associações e pais. A diferenciação pedagógica que a lei já prevê, mas que as escolas só põem em prática pela metade, por exemplo, permitindo a aceleração dos alunos de ano para ano.

Mas isto não chega, garante Helena Serra, da APCS (Associação Portuguesa da Crianças Sobredotadas). "A criança não pode estar horas numa sala de aula a ouvir matérias que já sabe há muito tempo", defende.

Os sobredotados precisam de "desafios", para não perderam o interesse da escola, como aconteceu com Sílvia Vermelho, de 21 anos, que passou por uma pré-escola que não lhe "dizia nada" e um primeiro ano "incipiente". Isto apesar de ter aulas numa escola em que havia só uma turma, que juntava todos os anos. O que lhe permitia distrair-se com as matérias dos outros.

Quando passou para o segundo ciclo, as coisas pioraram. Não só porque "o ritmo de aprendizagem é lento e ineficaz", sem "estímulo" ou oportunidade de desenvolvimento de um "pensamento crítico", mas também porque se tornou vítima de bullying, discriminada pelos colegas por ter maior facilidade de aprendizagem.

"Eu não me sentia privilegiada por nada", assegura. "Sentia-me perseguida. Não queria dar nas vistas, errava de propósito nos testes e tinha uma rejeição total à escola". Ao ponto de querer desistir de estudar, o que não aconteceu porque lhe propuseram que acelerasse mais um ano, uma vez que já tinha entrado para a escola aos cinco anos.

A aceleração não resolve o problema essencial. Estas crianças continuam a precisar de estímulos que as motivem e façam das aulas uma fonte de conhecimento. Uma das estratégias é atribuir-lhes trabalhos diferentes.

Tal como fez o professor do Pedro (nome fictício), hoje com dez anos e a frequentar o sexto de escolaridade, quando o acompanhou no terceiro e quarto anos.

"Tinha de fazê-lo puxar pela cabeça para o manter ocupado", conta. "Dava-lhe logo dois ou três trabalhos, porque o que os outros faziam em 45 minutos ele fazia em apenas 15."

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