DGS quer vacina da gripe no Plano Nacional de Vacinação

A Direção-geral da Saúde (DGS) vai apresentar um estudo, no sentido de incluir pela primeira vez a vacina da gripe no Plano Nacional de Vacinação, para pessoas com mais de 65 anos, anunciou hoje o diretor-geral.

Durante uma audição na Comissão Parlamentar da Saúde, Francisco George manifestou preocupação com o défice de cobertura que a vacina tem em grupos de risco, o que acaba por se traduzir numa elevada mortalidade devido à gripe nos meses de inverno.

"Os portugueses não dão a devida importância à gripe. Estimávamos que a gripe era responsável pela morte de 1.500 portugueses por ano. Agora sabemos que em média 2.400 portugueses morrem por gripe todos os anos", afirmou.

Para o diretor-geral da Saúde, a "taxa de cobertura não é a desejável".

Francisco George lamentou a existência de "inexplicáveis movimentos anti-vacinação", o que tem expressão na vacina da gripe.

"Importamos entre 1,7 e 2 milhões de vacinas por ano, na perspetiva de vacinar 75% da população acima dos 65 anos de idade. Não estamos satisfeitos com a cobertura da vacinação, que estimamos em 50%", indicou o responsável.

Por isso, "vamos apresentar estudos que vão incluir pela primeira vez a vacina da gripe no Plano Nacional de Vacinação para estas idades", revelou.

O diretor-geral da Saúde considera que o problema da baixa cobertura tem que ser ultrapassado nos próximos anos e sugeriu a criação de uma "aliança nacional" de todos os governantes, deputados e entidades ligadas à saúde que em outubro deste ano reforçasse o apelo à vacina da gripe, porque "haverá cenários semelhantes ao do último inverno".

Ainda sobre a gripe do último inverno, o responsável salientou que "antes do excesso de mortalidade registado", a DGS emitiu um alerta em função das análises desenvolvidas com o Instituto Ricardo Jorge, que mostravam uma preponderância do A H3N2, e "foi possível antecipar a questão do excesso de mortalidade".

Francisco George salientou que este último ano e 2008 foram os de maior expressão de circulação desta estirpe da gripe, "que provoca sempre mais complicações, sobretudo na população mais idosa, como aconteceu".

Francisco George indicou ainda que por ano morrem em média 106 mil portugueses e que só devido às condições climáticas extremas morrem nos meses de inverno 13 mil pessoas e nos meses de verão 8 mil pessoas.

O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo alertou para a necessidade de o Governo e o Ministério da Saúde adotarem uma melhor política de informação para as pessoas tomarem as adequadas medidas de prevenção.

"O Governo não teve este ano a política de informação necessária para reduzir o impacto da gripe, que se traduziu nos mortos", considerou.

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