Nações Unidas precisam de um secretário-geral "mais ativo"

António Guterres, candidato a secretário-geral da ONU, é agraciado esta terça-feira com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Portugal, ao propor António Guterres para o cargo de secretário-geral (SG) da ONU, coloca a comunidade internacional perante a necessidade de discutir os respetivos critérios de escolha e nomeação, diz ao DN o embaixador António Monteiro.

A candidatura de António Guterres - que é agraciado hoje com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo Presidente da República - "é uma contribuição para que a comunidade internacional possa estudar o exercício de cargos importantes" em organizações "que tenham de se adaptar aos novos desafios" globais do século XXI, sublinha António Monteiro.

Refugiados, migrações, Direitos Humanos, ajuda alimentar, forças de paz e gestão de conflitos, apoio à realização de eleições democráticas e defesa do meio ambiente são alguns desafios que a ONU enfrenta. Com cerca de 85 000 funcionários e orçamento anual na casa dos 37 mil milhões de euros, tem duas dezenas de agências com orçamento e organização próprias.

Para o embaixador António Martins da Cruz, "não há nenhum candidato com a experiência e com as capacidades de António Guterres", exibidas na "extraordinária missão que desempenhou à frente do Alto Comissariado para os Refugiados"

Segundo António Monteiro, "a expetativa é que haja um entendimento na ONU de que é preciso uma mudança para [lhe] dar novo um dinamismo", o que "passa por ter um SG e um secretariado mais ativos e com mais poderes dentro da organização" - e o antigo Alto Comissário para os Refugiados "pode representar essa mudança".

Outro embaixador, Seixas da Costa, destaca a a imagem de "negociador honesto" que Portugal tem junto da comunidade internacional. "Somos um parceiro sério, equilibrado e um interlocutor fiável" - o que "favorece a candidatura de António Guterres".

Critérios geográficos ou de género - eleger uma mulher pela primeira vez para SG - "são "aspetos meritórios", mas "esta eleição não é semelhante às do passado" porque as Nações Unidas "têm hoje uma mecânica diferente". Daí "os países membros terem de refletir" sobre a escolha do sucessor de Ban Ki-Moon, diz António Monteiro, ex-embaixador português na ONU.

[Notícias corrigida às 11:03 no primeiro parágrafo, onde António Guterres foi por lapso identificado como António Costa]

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