Declarações da irmã do homem sem rosto são lamentáveis

Ana Jorge considerou lamentável que a irmã do homem operado nos Estados Unidos a um tumor no rosto tenha dito que o Estado português não pagou à família as despesas de deslocação e estadia, afirmações que sublinhou serem mentira.

 Em declarações à agência Lusa à margem do III Encontro Nacional de Voluntários da Liga de Amigos do Hospital Garcia de Orta, em Almada, a ministra Ana Jorge afirmou que "nunca foi posto em causa o pagamento das deslocações e da estadia do doente e do seu acompanhante", mas explicou que o Estado actuou de forma a gerir bem os seus dinheiros.

A médica afirmou que José Mestre, o doente - como qualquer utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nas mesmas circunstâncias em que ele se encontrava - tinha direito ao pagamento de todas as despesas relacionadas com a concretização da cirurgia, incluindo deslocações e estadia.

No caso, o Estado assumiria ainda as despesas de estadia e deslocação do acompanhante do doente.

No entanto, explicou a ministra, "houve uma cadeia de televisão norte-americana que ofereceu à irmã a estadia e as viagens". E nesse contexto, acrescentou, "compete ao Estado gerir bem os seus dinheiros. Se a irmã tinha quem lhe desse a viagem e a estadia, não competia ao Estado estar a pagar, porque senão a senhora receberia de dois lados".

Segundo Ana Jorge, a irmã de José Mestre "exigiu que a filha também fosse": "Isto não é, obviamente, possível em nenhuma circunstância", afirmou, sublinhando considerar "lamentável que a senhora tenha feito os comentários que fez porque está a ser desonesta nas suas declarações".

Foi, concluiu, "uma má informação, que foi dada à população em geral, e é muito lamentável porque é mentira".

A irmã de José Mestre, Edite Abreu, disse na quarta feira à agência Lusa que o Estado português apenas pagou as despesas da cirurgia, tendo todas as outras expensas sido suportadas por terceiros.

Entretanto, o Ministério da Saúde (MS) anunciou na quinta feira que já pagou ao hospital norte-americano que operou José Mestre, conhecido por "homem sem rosto", cerca de 108 mil euros, faltando liquidar cerca de 12 mil euros.  

O MS esclareceu, em comunicado, que "o Serviço Nacional de Saúde pagou já, contra entrega de factura pelo hospital norte-americano, mais de 150 mil dólares norte-americanos, ficando apenas por liquidar cerca de 17 mil dólares, cuja factura ainda não foi enviada".

O Ministério da Saúde adianta que a Direcção Geral da Saúde, por proposta do Hospital Fernando da Fonseca, autorizou no passado dia 15 de Abril o tratamento médico-cirúrgico de José Mestre no Saint Joseph Hospital, em Chicago.


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